Líbano: Nota Histórica


Uma importante nota de M. Azevedo:

PARA QUEM DESEJA COMEÇAR A ENTENDER O CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO:

NOTA HISTÓRICA – Em 29 de novembro de 1947, a Assembléia Geral das Nações Unidas, sob intensa pressão do governo dos Estados Unidos (o qual agiu, por sua vez, influenciado pelo lobby sionista) aprovou a resolução 181, efetuando a partilha da Palestina. Diversos países, especialmente os pequenos e mais dependentes de empréstimos e doações, foram pressionados a dar seu voto favorável. A votação foi adiada algumas vezes, para “dar tempo” aos pró-sionistas de “virar” o resultado antecipado, contrário à partilha e à criação do novo ESTADO, mesmo daqueles países que já haviam manifestado sua oposição à proposta. Isso foi feito usando todo tipo de recurso, das ameaças de retaliação comercial à corrupção. Os países “cooperantes”, de outro lado, seriam “premiados” com todo tipo de benefício, comerciais, financeiros, políticos etc. Em seu discurso diante da assembléia, o embaixador do Líbano na ONU então, C. Chamoun, referiu-se diretamente a esses meios pouco ortodoxos de convencimento: “A liberdade de voto é sagrada e não podemos abandoná-la pelo tirânico sistema de abordar delegações em quartos de hotel, corredores e ante-salas, ameaçando-as com sanções ou oferecendo propina e fazendo promessas para obrigá-las a votar desta ou daquela maneira (…) A extraordinária pressão norte-americana e de meios judaicos levou delegações que já se haviam pronunciado contra a proposta a mudar o voto em menos de 24 horas.”

Todos os países árabes votaram contra a partilha, bem como as nações situadas em torno da área conflagrada, incluindo Grécia, Turquia e Irã. Todos os países da África e da Ásia votaram contra, com exceção do regime então racista da África do Sul. O Brasil, tendo a frente o embaixador Oswaldo Aranha, presidente da Assembléia da ONU, votou a favor. Muitas nações latino-americanas se abstiveram, como México, Argentina, Colômbia, Chile etc. A Grã-Bretanha também se absteve, mas a maioria dos países da Europa, incluindo a então União Soviética, apoiaram a partilha.

Os maiores interessados, os habitantes nativos da área, os palestinos, não foram ouvidos. Foi um típico caso do Ocidente rico “dar esmola com o bolso alheio”, no caso o “bolso” (o território) palestino. Segundo os termos da partilha, 57% da área ficaria com os sionistas e 43% com os palestinos, muçulmanos e cristãos, apesar de os judeus sionistas possuírem apenas 5,5% da área e cerca de 1/3 da população — esta em sua grande maioria de origem européia e recém-desembarcada, ao passo que os palestinos lá vivem há séculos.

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