Buddha Cariya 2

Em minha própria experiência, fui tocado por muitas histórias. Uma certa história fala sobre quatro jovens meninas que competem em uma corrida. Duas corredoras tomam a liderança, deixando as outras duas para atrás. Uma das duas primeiras, acidentalmente tropeça. A outra menina, em vez de continuar, se vira e a ajuda. Ela poderia ter ganho, se continuasse correndo. Claro que uma das duas corredoras que vinham atrás delas ganha a corrida. Mas a menina que ajudou a amiga ganha o coração das pessoas. Ela percebe que ajudar o outro é mais importante do que a vitória, enquanto outros freqüentemente percebem da forma oposta. Pregar que ajudar os outros é bom, que compaixão e generosidade amorosa são boas, não é tão poderoso quanto histórias reveladoras. Histórias nos fazem sentir que o Dhamma é de fato uma questão diária.

Há 32 anos atrás, Buddhadasa começou a escrever a primeira parte de Buddha Cariya com uma pergunta: O que o Buddha queria dizer para as pessoas? O título “Buddha” tem três significados. Primeiramente, para o tolo ou não instruído, significa imagens de Buddha ou amuletos. Num nível mais elevado, o Buddha é um personagem histórico, o Príncipe Siddhattha Gotama. O terceiro nível é o Buddha em seu significado abstrato. Não se trata de uma pessoa, mas de atributos que fazem de uma pessoa um Buddha, a saber: sabedoria, compaixão e pureza. Sob este foco, Buddha não é algo distante. Qualquer ser humano, depois de cultivar estes atributos, pode se tornar um Buddha. O Buddha mesmo disse que, quem vê o Dhamma ou a Lei de Paticcasamuppada, vê o Buddha. Isto significa que o Dhamma é o Buddha, e também significa que o Buddha não está distante de nós, não é um homem que viveu 2500 antes de nós.

O que Buddha quer dizer ou nos indicar, de acordo com Buddhadasa, pode ser resumido em três aspectos:

Primeiramente, o Buddha é nosso amigo no samsara. Antes do Nibbana, ele era nosso amigo no samsara. Depois do Nibbana, ele ainda é um bom amigo mostrando-nos o caminho para Lokuttaradhamma.