4 franceses e 1 brasileiro

esse foi o grupo que entrou na pickup com o objetivo de ver a revoada vespertina dos morcegos. Equipados de garrafas de água e saquinhos de batata frita (fornecidos pelo guia), os cinco desbravadores saíram dispostos a enfrentar o que fosse preciso para cumprir sua missão. Para isso, a primeira parada foi numa piscina natural, imediatamente um andar abaixo de uma nascente de águas impressionantemente transparentes. Duchas naturais causadas pela força das águas massageavam as costas, enquanto a sombra das árvores nos protegia do sol. Refrescados por antecipação, a pickup serpenteou pela estrada de terra, passando por campos de milho, mandioca e mangueiras. Curiosamente, a mandioca aqui é usada somente para consumo animal. Então esqueçam de entrar num restaurante e pedirem uma mandioca frita ou uma daquelas cozidas com manteiga derretendo por cima.

Pois é, quem disse que eu iria para o parque nacional, acertou. Meu destino foi o terceiro maior daqui do país. Hoje o primeiro animal selvagem que vimos foram vacas holandesas. Essa região é grande produtora de leite e é a principal área fornecedora para todo o país. Na verdade, não me lembro de ter visto vacas pastando em qualquer outro lugar da Thailândia. Aliás, o leite daqui é excelente. O segundo animal selvagem foram galos e galinhas cacarejando. Pelo visto esse seria um dia de natureza agreste.

Foi então que paramos num templo buddhista, com seus prédios de distinto branco e dourado. O que estávamos fazendo lá? É que em suas

premissas se encontra a primeira das cavernas a serem visitadas. Nessa não havia muitos morcegos, mas após uma íngreme escada encontramos essa aranha ‘transgênica’ – mistura de aranha, escorpião e bicho-pau – que só mora em lugares escuros.

A caverna tem algumas centenas ou quem sabe milhares de pequenos morcegos pendurados no alto, além de estátuas buddhistas, como essa toda em pedra branca.

Até nosso ‘monge que queria ser feio’ estava nos esperando na saída. Mas não tínhamos tempo a perder. Precisávamos chegar rápido ao local da revoada dos morcegos.

E valeu completamente o esforço. São cerca de dois milhões deles saíndo de uma caverna no alto de uma montanha, em revoada, todos os dias ao entardecer, ziguezagueando em uníssono sob os céus azuis do nordeste da Thailândia. Eram tantos, e voando tão baixo, que podíamos ouvir o seu voo. E os animais continuavam aparecendo. Teve essa pequena centopéia na Natalie e, depois de uma breve caminhada ao topo de um monte, entre um lanche de abacaxi e visões da lua, essa lagartixa apareceu. Pulou para minha orelha (ela fica quietinha quando colocada aí e podemos até andar com ela acomodada), depois pulou pro nariz do Ronald (e de todos os outros) e, cansada da aventura, resolveu tirar uma soneca na palma do Ludo. Na volta ainda tivemos uma coruja bem grande e uma cobra no meio da estrada. Carros passavam bem em cima dela e milagrosamente nenhum a esmagou. Nossa pickup parou, e o guia a puxou para a beira da estrada. Tiramos muitos fotos e salvamos uma vida. Quem disse que a vida selvagem não pode ter ações bodhisattvicas?