Blém Blém … e o sino toca

Essa é uma vista desde onde estou. Do sino da torre se ouvem badaladas regulares por todo o dia. No retiro do Porto, o mesmo ocorria, lá a cada 15 minutos. Já havia me esquecido como é ter a lembrança das horas regulando o dia. Nos antigos mosteiros cristãos a oração das horas se fazia. Aqui o sino entoa brevíssimos ritmos antes de suas badaladas horárias, enquanto que a brisa fresca das nove da manhã se faz presente. O sino lembra voltarmo-nos para o centro. Parar a ação. Voltarmo-nos para a respiração e para o eixo.

Ontem, umas 25 pessoas (não preciso dizer que havia uma brasileira também, não?) das 30 inscritas estiveram presentes ouvindo sobre karma, mente e coração. É sempre gratificante ver o interesse por um tema como o Dhammapada, tema não exatamente popular, revelando por aqui um lugar para os ensinamentos primevos do Buddhismo Antigo. Aliás, todo ciclo de eventos em Lisboa foi anunciado sob o título “De Volta às Origens”, o qual achei extremamente apropriado quando ontem vi o folheto. Que mais adequado para um estudante do Dharma voltar-se para os primeiros ensinamentos do Buddha, venerandos traços de um tempo em que séculos de cultura ainda não haviam se sobreposto sobre a clara doutrina, e em que se podia ouvir, quase como que diretamente dos lábios do Buddha o que ele mesmo tinha a dizer?

Na volta às origens, seguimos as pegadas deixadas pelo Tathagata, buscamos pela mente / coração e nos reconectamos com o ar vital que nos leva para o centro dentro de nós.