Pátchima no Oriente 8

Quase todos os conferencistas ja foram embora. Decidimos pegar o onibus/barco e descer na parada do Wat Arun e andar até o Wat Po. Olha, nem vou usar mais exclamacao pq tudo aqui e assim: !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O Wat Po é um lugar belissimo. Dentro do templo tem uma estatua gigantesca do Budha deitado. As paredes sao todas pintadas com cenas relacionadas a vida do Buddha. Adorei. É lindo demais. Como tem templo aqui em Bangkok! O lado de fora do templo tbem é outra maravilha. Provavelmente no final da viagem nao vou saber mais qual era o mais bonito. Cada um tem um detalhe proprio.

Saindo do Wat “caimos” numa regiao com ruas que pareciam Ciudad del Leste no Paraguai, tamanha a quantidade de gente e quinquilharia a venda. Uma grande festa! Gente pra dar com o pé, misturados com carro, música no ultimo volume e barraquinhas com todo o tipo de produto. Foi bom estar no meio daquela confusao. Acabamos por dar de cara com um shopping local muito bem refrigerado!!!! (Isso por aqui é alguma coisa muito importante. Como se fossem oásis !!!!) Hora do almoco! Experimentamos o Mac Donald tailandes.

Voltamos ao hotel e seguimos com nossas bagagens para o monasterio da Monja Dhammananda. Chegamos no monasterio a tempo de nos acomodar, mudarmos de roupa e fazer uma refeicao. E que refeicao! Muito desavisada fui colocando as coisas no prato e nao perguntei para a Isabel o que era o que. Tudo tinha vegetal e pareciam bem inofensivos! Qual o que! Tinha muito mais pimenta do que da primeira vez quando almocamos por la. Eu nao conseguia nem falar. Minha boca, dentro e fora, ardia em chamas! Acho que o prof. percebeu o desespero e me salvou. Sugeriu um leite para cortar a onda da pimenta. Aquilo foi um bálsamo!

Houve uma cerimonia com canticos, depois fomos até a biblioteca do monasterio assistir um documentario sobre a questao da ordenacao de mulheres budistas. Depois dormir. Voces nao fazem ideia do calor. O ventilador de teto apenas espalha o calor…ai, ai,ai. Levantamos 04h30. Cerimonia com canticos e logo saimos para a ronda dos alimentos. Amigos, creio que posso dizer como foi, o que vi, por onde andamos e que tipo de pessoas encontramos, mas como muitas das coisas dessa viagem, esta é daquelas experiencias que de tao nova e ao mesmo tempo tao intensa, vou ficar devendo palavras.

Dificil encontrar as palavras pois é diferente de tudo que diz respeito ao meu dia a dia. Enfim…saimos em fila. Monja Dhammananda e tres outras monjas a frente. Uma noviça empurrando um carrinho onde as doacoes sao colocadas e todas as outras mulheres em seguida. Isabel e eu entre elas.

Nao se conversa e nao se olha para os lados para nao haver distracao. Já comecei a ficar emocionada ao ver ao longe uma senhorinha idosa com pacotinhos de comida dispostos numa mesinha em frente a sua casa. Ela já foi se ajoelhando ao ver a aproximacao do grupo. Paramos em frente a casa dela, a Monja recebe o alimento e passa para quem está na fila. Esta pessoa deposita o alimento no carrinho e volta para o fim da fila. Todas tem oportunidade de tocar o alimento e participar de perto da oracao feita para cada um que faz a doacao. E assim foi. Fomos parando, recebendo os alimentos, prestando e recebendo homenagem.

Talvez eu nao saiba muito bem explicar pra vcs o significado deste ritual. Sei dizer que eu estava lá junto a todas aquelas pessoas, junto as monjas, possibilitando a experiencia da generosidade, fossem pessoas muito simples ou nao. Participar daquele ritual de fé, de continuidade dos ensinamentos do Buddha, de interdependencia, foi me deixando mais presente em cada parada, em cada alimento recebido, em cada agradecimento. Faço alguma ideia do que seja realizar esta ronda todos os dias. Penso que muitas das bobagens que carregamos a nosso respeito, a respeito dos outros e das coisas todas, devam ficar pelo caminho.

Terminada a ronda, voltamos para o monasterio. Tudo isso acontece em silencio. Separamos os alimentos, flores e frutas recebidos. Foi organizada uma mesa e compartilhamos o cafe da manha. (Tive entao o meu primeiro pequeno almoco!! Comi arroz e tudo o mais que faz parte do cafe da manha thai). Participamos ainda, antes do almoco, de uma cerimonia conduzida pela Monja. O almoco foi bem especial! Como era feriado religioso muitas pessoas apareceram para almocar. As doacoes de alimentos recebidas pela manha estavam sobre a mesa para todos.

Isabel até deu entrevista para um grupo frances que estava fazendo um filme ou documentario. Ela é realmente muito fixe (*)! Deu entrevista em ingles e frances. Fiquei toda orgulhosa por estar ali com ela.

(*) – fixe é uma expressao portuguesa usada para qualquer coisa que seja mais que legal.

© fotos, Dhanapala & Isa 2009

4 thoughts on “Pátchima no Oriente 8

  1. Oi Fátima!

    Que experiência hein?

    Se a Isabel que está com você for a Isabel Haber, membro do Nalanda em Portugal, manda um abração pra ela!! Fizemos o curso on-line “Entrando no Caminho” juntos!!

    Se for outra Isabel, manda um abraço da mesma forma! 😉

    Marcelo
    Caxias do Sul/RS

  2. Oi Fátima!!!

    Que beleza! Estou gostando bastante de ler o que vc escreve, as fotos tbém estão ótimas. Vc e a Isabel de bailarinas ficaram muito bem. Muito legal,
    Abção da Maya

  3. Nossa Fátima!
    Você virou uma ‘repórter de primeira’! Você descreve tão bem que dá a impressão que a gente está aí junto com vocês.
    E a experiência de sair com as monjas para mendigar seus alimentos… EMOCIANTE!

  4. Olá, amigos.
    Muito obrigada Fátima pelo relato emocionado que vai fazendo acompanhada pelo professor Ricardo e pela Isabel.As suas descrições são de tal forma vívidas que também me emociono e vêm-me as lágrimas aos olhos.Aproveite ao máximo essa dádiva e continue a partilhar as suas emoções.
    Um abraço bem forte a todos e até breve.
    Tudo de bom, cristina.

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