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A Adaptação do Zen no Ocidente

Expandindo o tema da busca pela identidade no Buddhismo ocidental, é interessante observar como a introdução do Zen nos Estados Unidos se deu como resultado de um número de fatores. Os mais proeminentes podem ser indicados como sendo:

1. Movimentos no Japão com o fim de revitalizar e modernizar o Zen.
2. Ataques dos nacionalistas shintoístas.
3. O desejo de experimentar em um novo ambiente livre da história institucional japonesa.
4. Uma coincidência de interesses entre professores zen japoneses, desejosos de se verem livres do rígido institucionalismo de seu país, e o desejo de estudantes americanos em se ver livres das religiões institucionalizadas.

O enraizamento do Zen na vida americana viu, assim, um número de alternativas sendo propostas e testadas. Alguns escolheram o estilo de vida monástico como aquele tradicional no Japão, enquanto outros tentaram criar um novo tipo de rede de suporte familiar, mais voltado à vida laica, às artes e à ação social. Pode ser dito que impulsos tradicionalistas e inovadores coexistem no Zen ocidental, no norte-americano em particular.

Cada um dos grandes nomes da primeira geração de divulgadores do Zen nos EUA, como os roshis Harada, Maezumi, Sasaki, Shunryu Suzuki, propuseram diferentes alternativas de adaptação. Algumas foram bem sucedidas, outras nem tanto. Outras ainda somente o tempo dirá. Tendo praticado em alguns centros zen dos EUA, minha impressão geral com relação à adaptação do Zen no Ocidente é positiva, e é um exercício de abertura de visão ver como o Zen foi se adaptando a uma audiência americana que é bastante diferente do mundo mental japonês/coreano original. Problemas surgiram, é claro, e alguns bem sérios; mas foram sendo resolvidos com o passar do tempo. Outras soluções foram simplesmente versões diluídas e por vezes inócuas. De um outro lado, quando observo a prática Zen no Brasil, acredito que esteja tomando o mesmo rumo dos EUA de décadas atrás. Até recentemente, o Zen no Brasil esteve associado por demais com a cultura do “sexo, drogas e rock & roll”, quando não fez parte do saco de gatos alternativo; e líderes e praticantes nem sempre conseguiram se dissociar de tais coisas e idéias, criando uma imagem negativa que, felizmente, vem sendo substituída de forma gradual.

Como em todas as adaptações a pergunta fundamental sempre é: “como podemos conferir se uma inovação em particular representa uma perda da essência do ensinamento, ou consegue preservá-lo apenas com uma nova roupagem?”

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