camboja ghosananda

A Paz é Possível – 3

No mosteiro aprendemos a meditar da seguinte forma. Durante todo o dia, movemos a mão para cima e para baixo, para cima e para baixo, com observação vigilante, seguindo atentamente a respiração. Todos os dias, fazíamos isso – nada mais.

Maha Ghosananda

Durante a Operação Café da Manhã, Maha Ghosananda estudava meditação num eremitério de floresta do sul da Thailândia. Como Phal, seus pais e irmãos também foram mortos nos bombardeios e na violência que tomava o Camboja. Ao ouvir sobre o grande sofrimento sofrido pelo povo cambojano, o primeiro impulso de Ghosananda foi correr de volta ao Camboja, onde “os rios são cheios de sangue” e ajudar de qualquer maneira que fosse. Seu professor buddhista, o venerável Ajahn Dhammadaro, insistiu, entretanto, que ele permanecesse no mosteiro e aprendesse a meditar. A paz, segundo Dhammadaro, começava no próprio coração. Além disso, e antes de se envolver numa situação, conheça quando a hora para agir havia amadurecido. Quando Ghosananda soube que toda a sua família havia sido morta, ele não conseguia parar de chorar. Mesmo durante essa época, o ensinamento do mestre permaneceu o mesmo: “Não chore. Esteja vigilante. Ter a vigilância é como saber quando abrir as janelas e portas … Você não pode parar a luta. Ao invés disso, lute contra seus impulsos de lamentação e raiva. Esteja vigilante. Pare de chorar e observe vigilantemente”.

Quando os professores buddhistas falam de “vigilância” eles não estão falando de conhecimento intelectual. Na época em que Ghosananda, que havia nascido em 1929, veio estudar com Dhammadaro, ele já havia sido ordenado monge, graduado pela Universidade Buddhista de Phnom Penh, completado estudos avançados numa universidade buddhista em Battambang, e conquistado um Ph.D. da Universidade Nalanda na Índia. Ghosananda, que havia nascido em uma família de camponeses do delta do Mekong, era também fluente em numerosas línguas. Quando recebeu seu doutorado, Samdech Preah Ghosananda, recebeu também o título honorário de “Maha”, que significa, de acordo com Santidhammo, “‘grande’ e se refere a um monge que é um expert em pali e um erudito monástico”.

[continua…]

© escrito por Anna Brown, Waging Nonviolence
© traduzido por Dhanapala sob permissão da autora

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