camboja ghosananda

A Paz é Possível – 6

Desde sua entrada no campo de Sakeo, Ghosananda empreendeu um esforço sem fim de quinze anos em benefício do povo cambojano. Suas muitas obras, bem documentadas no breve livro de Santidhammo, revela-o fazendo muitas coisas, desde a construção de templos e campos de relocação até o trabalho no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas. Ghosananda, que foi frequentemente mencionado como o “Gandhi Cambojano”, também reuniu um exército de paz cuja única munição eram as “balas da bondade amorosa”. Seu exército, reunido para seis “Dhammayietra (uma peregrinação pela verdade ou uma caminhada pela paz) pela Paz e Reconciliação” caminhava um passo de cada vez: “As guerras do coração sempre levam mais tempo para esfriar do que o cano de uma espingarda … precisamos nos curar através do amor … e devemos fazê-lo vagarosamente, passo a passo”. O passo mais difícil era o de amar o próprio inimigo mas, ainda assim, se desejamos a paz, devemos tomar este primeiro passo. Dependendo de sua prática buddhista, Ghosananda compreendia que quando vemos o “inimigo”, vemos a “nós mesmos”. Olhando profundamente para essa compreensão eu não lutarei com um outro pois, de fato, estarei lutando contra mim mesmo. É uma bênção que Ghosananda tenha tido um tão bom professor e que, de fato, tenha aprendido como meditar no mosteiro thailandês de floresta.

A devoção de Ghosananda ao trabalho pela paz começou cedo. Quando estudava na Universidade Nalanda, ele teve a oportunidade de encontrar, estudar e trabalhar com o monge japonês Nichidatsu Fujii, que havia estudado intensamente com o próprio Gandhi em seu Wardha Ashram e, mais tarde, fundou a ordem buddhista Nipponzan Myohojii. Em 1954, Fujii construiu o primeiro Pagoda da Paz e organizou sua primeira caminhada pela paz no Japão. De acordo com Fujii, para quem a não-violência era o centro de seus esforços pela paz: “a civilização não é ter luz elétrica, aviões ou produzir bombas nucleares. Civilização é não matar as pessoas, não destruir os seres vivos, não guerrear. Civilização é manter o respeito e afeição uns pelos outros”. Hoje, seus adeptos, incluindo aqueles nos Estados Unidos, continuam a caminhar pela paz e pela proibição das armas nucleares.

Nota: Para conhecer mais sobre a história do Camboja nesse período negro e os ensinamentos de Maha Ghosananda, confiram “Passo a Passo“.

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