A verdadeira firmeza

Bhikkhus, estes dois extremos não devem ser cultivados pelo recluso. Quais dois? Indulgência sensual, que é baixa, vulgar, mundana, ignóbil e que conduz ao dano; e a auto-flagelação, que é dolorosa, ignóbil e conduz ao dano. O Caminho do Meio, bhikkhus, compreendido pelo Tathagata, evitando os extremos, dá visão e conhecimento, e leva à calma, à realização, à iluminação e ao Nibbana. E o que, bhikkhus, é esse caminho do meio? É o Nobre Caminho Óctuplo, nomeadamente: Compreensão Correta, Pensamento Correto, Linguagem Correta, Ação Correta, Modo de Vida Correto, Esforço Correto, Vigilância Correta e Concentração Correta”.

Essa é a formulação mais frequente do chamado Caminho do Meio, uma atenção em nossa prática para não cairmos nem na preguiça e na facilidade do prazer de um lado; nem, de outro lado, na mortificação, culpa e severidade dirigida a nós mesmos.

Caminho do Meio tem a ver com uma abordagem de cuidado para com o modo como agimos no mundo e como agimos internamente. Ajahn Buddhadasa diz que: “A verdadeira firmeza buddhista é uma prática nem rígida demais nem permissiva demais, mas tão somente moderada. Esse é o chamado majjhima-patipada ou Caminho do Meio no Buddhismo”.

Isso não é algo tão fácil. Manifestar cuidado é uma questão de atenção amorosa. Como um pai que estraga seu filho quando lhe dá tudo o que pede, a atitude de cuidar implica uma não submissão ao caminho fácil do prazer e gratificação imediatos. O filho pode não gostar no início, mas crescerá forte ao invés de mimado. Como um pai que estraga seu filho quando resolve todos os assuntos no cinto, a atitude de cuidado atento implica em ser inteligente para descobrir os caminhos não violentos mas firmes. E isso se aplica em todas as relações – pais-filhos, homem-mulher, professor-aluno, amigo-amigo, empregador-empregado, etc. -, não?

* para mais sobre o caminho do meio

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

2 Comments

  1. Ótima descrição por Buddhadasa.
    Lembrei de algo que li certa vez:
    “Verdadeiro esforço é não esforço”

  2. hummm…tudo bem, mas tem limite que eu não gosto….srs

    Bisous,

    Josane

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