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Ação e Omissão

E falando em violência e Katrina, isso traz uma reflexão importante sobre a doutrina do kamma no Buddhismo. Ao contrário do que muitos pensam, mesmo buddhistas informados, o kamma (skr.karma) não tem a ver apenas com nossas ações,mas também com nossas omissões. Esse cuidado, ou falta dele, em lidar com os pobres, negros e velhos por parte da administração americana, além de revelar as sérias questões raciais presentes por lá, aponta para um caso de kamma intencional, sim, tão grave quanto a agressiva política de invasão e destruição no Afeganistão e Iraque, onde soldados não pensam duas vezes antes de atirarem em mulheres e crianças que possam ser “potencialmente” perigos para eles.

Possuir recursos torna-se aqui uma faca de dois gumes. Possui-los nos abre possibilidades de fazer o bem, gerando mais kusalakamma, além de beneficiar os seres ao nosso redor. Entretanto, possui-los e não usá-los, ou usá-los inapropriadamente, é pior do que se não os tivéssemos em primeiro lugar. A revolta e indignação com que o mundo e os próprios americanos contemplam essa tragédia provêm em grande parte daí: um país com tantos recursos como os EUA desperdiça seus recursos, de um lado em ações cujas intenções são mais que suspeitas, como na ocupação iraquiana, e omite em usá-los quando se trata de salvar vidas consideradas, quem sabe, ‘dispensáveis’.

Como nota paralela, o Rev. Thich Tam Hoan, um monge vietnamita do templo buddhista Chua Giac Hoa nos EUA, juntamente com mais seis monges e uma monja continuam desaparecidos após sete dias do furacão Katrina ter assolado o sul americano. Eles estavam em Biloxi, no Mississipi, para uma celebração. Como o templo ficava a cinco minutos da praia, as expectativas não são boas.

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One comment

  • Anonymous
    31/05/2006 - 8:17 pm | Permalink

    Cada vez mais me impressionam os paralelos que podemos estabelecer entre diferentes doutrinas. A impressão que tenho é de que quem caminha para a luz, independente do método, fala a mesma linguagem. Ao ler este texto,não pude deixar de lembrar recomendações espíritas sobre a responsabilidade da prática da caridade (compreendida em sua mais ampla significação).

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