Apatia

É interessante notar como que, apesar de ser notícia na mídia todos os dias, os escândalos sucessivos envolvendo principalmente o governo, mas não apenas ele, mas de políticos de todos os partidos, é encontrado por uma marcante apatia por parte da população. Alguns anos atrás, talvez por muito menos, um outro presidente já estava sofrendo o impeachment. Talvez por ser um partido maior ou porque os outros partidos sabem bem o quanto eles próprios fazem as mesmas coisas, o mundo político hoje é de uma surpreendente apatia. Mais surpreendente entretanto é a reação popular e como ela se iguala a outro povo que passa por algo similar. Dois mil soldados americanos mortos, mais de 60000 mil civis iraquianos mortos e um sem número de escândalos mantêm a popularidade de um presidente ainda em 40%. Décadas atrás, Getúlio Vargas colocou uma bala em si mesmo por muito menos, mas notamos a sociedade em geral, e a classe política em particular, cada vez mais permissiva e receptiva aos deslizes de caráter, quando não o são já marcas permanentes de personalidade.

A melhor apreciação da situação atual, e na verdade a única, que vi no meio buddhista é aquela vinda de Tam Huyen Van, em seu artigo A Mente Corrupta. Lá ele explora muito bem o que ele chama de “processo de ‘dúbio-pensar’ sob a ótica da psicologia buddhista”.

De fato, a apatia, ou simplesmente a preguiça, é um dos cinco fatores que são um impedimento também no caminho espiritual. Estamos por demais voltados na busca de nosso próprio prazer e conforto que nos falta energia para cuidar de qualquer outra coisa. É tão mais fácil deixar na mão de hipotéticos outros a tarefa que talvez somente nós mesmo poderíamos fazer.

Como diversão, entrem em www.google.com, escrevam “failure” (fracasso) e cliquem em “Sinto-me com sorte” ou “I´m feeling luck”.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.