Aprendendo a falar português – 2

Alguns devem se lembrar do caso que contei sobre o turista na Austrália atingido por águas-vivas impiedosas. Se o turista fosse português, entretanto, ele não teria preocupações por águas-vivas, pois o que ele estaria realmente de olho seria nas alfurrecas. Atingido pelas alfurrecas, poderia submergir e água entrar por suas narinas, resultando num pirolito. Isso é extremamente criativo, pois quem pensaria criar um nome para o fato de água entrar inadvertidamente pelas narinas ou pelas chavetas! Em choque, isso poderia até afetar sua caixa de pirolitos, ou mesmo vir a esticar o pernil. Saibamos, então, que devemos certamente estar acagaçados com relação a alfurrecas, ainda mais quando estando na Austrália, onde elas dão com o pau, e tendemos a estar distraídos demais adivinhando passarinho novo, por estarmos de férias na praia, para percebê-las se aproximando. Melhor estar em Portugal, apreciando a brisa da noite, talvez a observar cagalumes brilhantes voando na noite.

Aliás, por aqui além dos homens avarentos serem chamados de avarentos, podem também ser denominados de furretas. Isso foi o que descobri quando ontem contei a estória do homem que viveu na época do Buddha, e que de tão furreta deixou seu filho morrer para não ter que gastar com remédios e doutores.

Assim, continuo a aprender a falar português a cada visita a esse tão belo país. Hoje conseguimos terminar com a turma o comentário ao primeiro capítulo do Dhammapada. Amanhã começa o retiro e será hora de conhecer um novo sítio, Cartaxo, há 45 minutos de Lisboa.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

One Comment

  1. continuação de boa estadia em terras lusitanas, “avusa”.

    abraço amigo
    Lécio

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