Aprendendo a falar português

Primeiro pensávamos em ir de comboio, mas surgiu a possibilidade de ir de boléia. Seriamos pegos em alguma zona por uma rapariga, mas quando estávamos a atravessar a passadeira, após comer um delicioso bacalhau na “antiga casa faz frio”, com o sagarapriya, o luiz e a silvia, o telemóvel tocou e nos pareceu que seria mais fácil ir de comboio mesmo a Braga.

A idéia de ir de comboio me parece muito interessante. Ainda de manhã havia andado de elétrico, que, note-se bem, é diferente da caminhonete ou do autocarro.

Comemos castanhas que aqui são torradas, andamos na praça de Pedro IV e várias outras, e até andamos na zona pedonal. Consegui resisir de tentar algumas farturas, que eram bem grandes e, afinal, já estávamos próximos do almoço.

Anteontem, quando estava no avião, e enquanto as hospedeiras de bordo serviam sanduíches e bebidas, já era possível ver os elétricos lá embaixo passando ao lado do estádio e do rio Tejo.

O Tejo, aliás, é bem grande! A foto ao lado é de Fernando Pessoa, em frente ao seu restaurante favorito, chamado À Brasileira, de um português que morou no Brasil e resolveu voltar mais tarde.

À noite pus uma camisola emprestada para não passar frio na rua e fomos até a sede da União Budista de Lisboa, onde umas 40 pessoas apareceram para ouvir sobre originação co-dependente. Sempre me surpreendo quando pessoas aparecem a partir de um tema tão estranho como esse, afinal não é nenhum ‘cinco passos para a iluminação’ nem ‘o segredo na versão buddhista’. Muitas pessoas interessadas – e pacientes em me ouvir falar essa versão abrasileirada da língua nativa – e todos na União são muito gentis. É bom ver que o Budismo cresce aqui em Portugal.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

4 Comments

  1. Notem que um portugues lendo esse texto, achara normal e ate bobo, contando coisas do dia a dia. Mas um brasileiro entendera pouca coisa 🙂

  2. em termos de urbanismo até que lembra bem o Brasil (ou será que o Brasil que lembra Portugal?)

    como se deseja um bom ano em português?

  3. oxente naum é que vc incorporou o português msm…eu que o diga qdo falo com meu sobrinho de 7 anos que foi para ai com apenas 1 ano de
    idade. Sabe que meu irmão até se interessou pelo Budismo por ai…mas…vamos ver.

    no mais acompanhando de leve( estou de molho…rs) sua viagem e vibrando com suas conquistas no que tange ao Budismo. Qdo me lembro
    do primeiro site do Nalanda ai pelos idos de 98/99…tu foi longe…e kibom prá todos nós.Parabéns pelos frutos de seu esforço e confiança, é um estimulo para todos nós que estamos no caminho.

    abs e um otimo 2008 práti.

    ana

  4. Bom, parece que elétrico, comboio e boléia estão todos na categoria meio de transporte. Exatamente o que é cada um…só arriscando. Bom retiro para todos por aí.Abs. Fátima

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