As Duas Asas do Pássaro

Você precisa de duas asas para voar

É claro que o conhecimento vindo do estudo e reflexão é parcial porque ele precisa de outra coisa que é justamente o segundo fator essencial do caminho: patipatti. Com patipatti temos, de fato, a prática. O Buddha transmitiu uma série de exercícios que podem ser benéficos para uma melhor compreensão. Patipatti, assim, serve a pariyatti: a experimentação fortalece a compreensão. Foram inúmeros exercícios ensinados, muitos até mesmo esquecidos pelos buddhistas. Talvez o exercício mais famoso conhecido seja a meditação. Existem várias formas de meditação, varias técnicas. Certas tradições buddhistas se concentram em apenas uma técnica ou duas. Mas em nossa tradição isso é um pouco diferente.

Há um número imenso de técnicas e depende, em parte, de cada um escolher práticas ou técnicas para desenvolver durante certo período. Isso depende também de você estar associado a certo professor ou linhagem que favoreçam este ou aquele conjunto de exercícios. Patipatti é o colocar em prática. É colocar o conhecimento em ação e exercer as técnicas aprendidas a fim de ter a vivência que vem da prática. A combinação destas duas coisas, pariyatti e patipatti, tem como objetivo criar uma terceira experiência: pativeda. Chamamos pariyatti e patipatti de as duas asas de um pássaro. Se você só tem pariyatti, o estudo/compreensão, mas não tem a prática, você é como um pássaro que só tem a asa direita. Se você só senta ou faz cerimônias e rituais, e não tem a compreensão do porque realmente você deveria fazer isto ou aquilo, é como se você só tivesse a asa esquerda. Ter só uma asa faz com que o pássaro não voe. Quando se tem as duas em equilíbrio, isso permite ao pássaro voar. E quando o pássaro pode voar isso permite que ele saia e conheça vários lugares, de uma forma equilibrada, com as duas asas batendo. E isso é pativeda, que é a experiência integral. Precisamos da realização.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.