Camadas de constructos

Se em nossa meditação superarmos nossa preocupação com conceitos e afinarmos o processo da percepção, nossa experiência da matéria (tanto quanto de todos os outros objetos da consciência) irá “desdobrar-se”, desconjuntar-se em “gostos mentais” e noções (dhammas), momentaneamente surgindo e dissolvendo-se. Há muitas intensidades e estágios neste “desdobrar-se” e “desagregar-se” da experiência grosseira na percepção microscópica dos constituintes básicos da realidade. Apesar do fluxo da experiência continuar, a mente pára de criar as usuais camadas de construtos mentais em torno das impressões, gostos e noções; ela pára de agarrar e se identificar com a experiência. Reconhecemos então tais noções como os “tijolos mentais” de nossa realidade aparente. Nesse estágio, a solidez também é vista como uma mera noção que faz com que as coisas sejam percebidas como substanciais e materiais” – Ven. Ashin Ottama.

Foto: interior indiano © Dhanapala, 2008 – clique na foto para aumentar

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

4 Comments

  1. Obrigado Alfredo e Ana. Na verdade as mulheres são africanas. Ainda não tive o prazer de visitar a África 🙂 E que bom que gostou dos marcadores. Eu mesmo nem estava consciente de que existiam até que essa semana vi que havia essa possibilidade.

  2. Em primeiro lugar, ficou otimo o indice das folhas ( marcadores). Eu como tenho o hábito ( quem vem de uma leitora compulsiva) ver sempre os indices do que vou encontrar pela frente, não importa
    o que estou lendo…agora me sinto em casa…rs…além, claro da falta de tempo e as vezes uma certa preguiça de uma pesquisa mais
    consistente…creio que ficou no ponto. Obrigada.

    Qto ao post e foto, enqto lia, sem perder o foco da foto e o foco do que tudo isso me provocava…me senti o oposto dessas belas mulheres africanas em seu oficio de
    carregadoras de agua ( creio que é isso?) Elas com sua leveza, serenas, inteiras na sua ação…já eu e creio que muitos em algum grau
    …como carregadora de “constructos mentais” consegui expressar um sorriso triste.

    ana

  3. Tal qual aquelas belas pedras preciosas de Ouro Preto, com suas diversas cores e formatos é esse texto

Comments are closed.