de Chuvas e Tempestades

Da última vez que fui a Curitiba e Florianópolis, estava chovendo muito nessas cidades. Vários me disseram para vir com o kit completo de capa, guarda-chuva e galochas. Curiosamente, no dia em que cheguei não choveu. E assim permaneceu até o último dia de minha estadia. Nove dias sem chuva. Claro que começou a chover lá quando eu estava já dentro do avião. E isso já havia acontecido em outras ocasiões. Até boatos de que eu trazia o sol começaram a surgir!

Ok, agora fatos engraçados na Thailândia e em Portugal. É época de monções na Thailândia. Supostamente chovendo todo dia, ok? Decidi ir passar cinco dias perto do parque estadual, aquele dos monstros sugadores! A idéia era passar dois dias em visita ao parque e os outros descansando, lendo, escrevendo. Cheguei de tarde, estava meio chuvoso. No dia seguinte de tarde, hora de ir para a caverna dos morcegos! Dia firme, com sol, deu pra nadar, andar, e tirar fotos de morceguinhos. Nenhum pingo. Dia seguinte, dia de ficar o dia inteiro no parque com os monstros sugadores. Nenhuma chuva, a não ser quando estávamos já dentro do carro, na estrada de volta. Caiu o mundo. Mas o dia inteiro: sol. Ok, dia seguinte, chegaram vários turistas, prontos para fazer o mesmo programa. Saíram às 8 AM. E não parou de chover das 8 AM até o dia seguinte. Eu no meu chalé, programa já completo, lendo e vendo a chuva cair, o que ocorreu todo o tempo.

Ok. Chego no Porto. Tinha estado frio e chuvoso na semana passada. Estava frio ou chovendo na semana que passei lá?? Claro que não, com exceção de uma leve garoa no último dia. Fui pra Coimbra. Horas antes de chegar, caiu uma chuva tão forte que alagou o centro baixo. Dia seguinte, dia de passear. Bem de manhã, o tempo todo fechado, escuro. Perguntei se não era melhor levarmos um guarda-chuva. Meu “guia” me disse: “Ah, se chover a gente corre um pouco”. . . O que acham, caiu alguma gota de chuva durante o dia? Pois é, não. Aí veio Lisboa: dias maravilhosos e ensolarados no retiro. Vocês viram as fotos. Dia seguinte, um dia antes de partir. Único dia para passear na cidade. Na noite anterior tinha chovido tanto que os jornais avisavam que todo o Algarve havia alagado. Previsão para Lisboa: chuvas à tarde. Manhã tranquila. No restaurante, durante o almoço, vejo na tv as enchentes no Algarve. De tarde era pra chover, lembram? Agora, me digam: Quantos pingos caíram??

Dharma da estória? Chuvas e tempestades são parte da vida. Mais cedo ou mais tarde elas vêm e também de cantos inesperados. Quando e se chegam, encontramos um lugar protegido, respiramos tranquilos e pedimos um café. Ou abrimos o guarda-chuva. Ou simplesmente apreciamos a chuva, sabendo que ao chegar em casa um banho quente nos espera. Cada um lida com elas de uma forma. Mas como é bom quando a sorte ajuda, e conseguimos delas escapar! – ou podem desenvolver poderes iguais aos meus e as chuvas não o atingirão!…

PS: Ganhei em Bangkok um guarda-chuva único. Ele é todo amarelo e nas suas oito divisões, o Óctuplo Caminho!

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

6 Comments

  1. Esses poderes não são novidade aqui em Curitiba. Já nem nos importamos com previsão do tempo! É batata! Professor vindo….tempo bom a caminho! Abs. Fátima

  2. Deixa eu acrescentar mais um fato: quando eu estive em Curitiba para o workshop em agosto, não iria participar no domingo pq tinha que voltar para casa (5 horas de viagem…). Vc me convenceu a ficar e ir embora na segunda de manhã, me garantindo que faria bom tempo. Pois bem, o tempo na segunda estava ótimo e a estrada livre de trânsito!! Fiz o trajeto em quatro horas…
    É mesmo bom quando a sorte (e o profe) ajuda.
    Abraços

  3. Hehe…

    Porque não pratica Samatha e desenvolve isso? :):):)

  4. Não será você o responsável pelas atuais mudanças climáticas? 🙂

  5. Deixa eu contribuir com uma bobagem: lembrei de um episódio de Arquivo X em que um cara influenciava o tempo, inconscientemente, de acordo com o seu estado de espírito. Na estória ele passa por uma grande depressão e quase destrói a cidade! No final, feliz, um maravilhoso dia de sol!
    Teoria do Mulder: se o clima influencia no humor das pessoas, por que o inverso seria impossível? Por que não haveria pessoas capazes de influenciar o tempo? A tradição espiritual, das mais variadas culturas, está cheia de referência a pessoas com tais capacidades…
    Posso até ouvir a musiquinha..
    pã, pã, pã, pã, pã, pãããã…

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