amizade sangha

Encontrando consolo nos amigos

Hoje um grupo de pessoas veio ao monastério para sepultar as cinzas de alguém. Havia muita tristeza porque eram de um jovem que havia morrido. Foi uma morte trágica, e a família e amigos estavam muito tristes. Todos nós sabemos que o Buddhismo ensina que sofremos porque temos apego. Mas também seria inadequado consolar com esse ensinamento as pessoas que estão sofrendo. Se você perdeu um ente querido, e você vai aos seus amigos buddhistas em busca de conforto e consolo e eles lhe dizem: “Bem, antes de mais nada, você não devia ter se apegado a ele! Tudo é impermanente, insatisfatório e não-eu!” Isso seria grosseiro e insensível.


Quando estamos sofrendo, nós procuramos por conforto, e acho que é válido procurarmos pelas várias práticas e meios hábeis que são oferecidos como parte do Buddhismo. Além da dor que vem da perda, existe muito no mundo a nossa volta que nos causa sofrimento. A situação ambiental atual, os vários conflitos militares, as disputas constantes que vemos nas vidas das pessoas – grandes crises ou a mesmisse do dia a dia – tudo isso pode nos deixar terrivelmente tristes. Se, com o coração carregado de tristezas, nós tentamos nos voltar às causas profundas do sofrimento antes de estarmos prontos, podemos afundar no desespero. Por vezes o que precisamos é encontrar amigos e companhias que não vão nos condenar porque estamos sofrendo. Nosso sofrimento não é um sinal de que falhamos, não é um demérito. Entretanto, é mais fácil cairmos na perspectiva mundana que diz que se sofremos é porque falhamos, fomos mal-sucedidos. Se estamos mal, então espera-se que superemos. Mas existem coisas que simplesmente não conseguimos superar. Algumas dores não somem do jeito que queremos ou quando queremos. Em tais momentos, ter um amigo, alguém que demonstra uma boa vontade e receptividade ao nosso sofrimento, é um conforto muito grande. Companheiros espirituais, kalyanamittas, são um dos maiores confortos da vida“.

 ~ Ajahn Munindo, Unexpected Freedom

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One comment

  • 23/03/2012 - 2:25 pm | Permalink

    Este tipo de resposta “não se apegue…” de que fala o autor, me parece típica de teóricos e leitores de buddhismo. Quem quer que tenha tentado uma contemplação honesta e sincera do problema do apego (upadana) e do consequente dukkha não seria capaz de dar “conselho” tão fútil. Porque começaria a perceber o quão profunda e insuspeitamente arraigados estão o problema e a dor que causa…

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