esposas e maridos

Prosseguindo as sugestões concernentes ao casamento buddhista, ontem foi dito que o Buddha havia dado alguns conselhos sobre a harmonia da vida casada. Na continuação, U Silananda prossegue descrevendo os deveres de esposas e maridos, segundo o Singala Sutta. Para alguns, tais recomendações podem parecer um tanto ultrapassadas, mas é preciso considerar o contexto social em que surgiram. Não será preciso muito esforço para adaptá-las à situação contemporânea. Aqui, como em outros lugares, o importante é captar o espírito que perpassa as palavras.

Os deveres da mulher são:
1. Fazer o trabalho doméstico (ou providenciar que seja feito) bem em tempo;
2. Agradar aos parentes tanto de seu marido quanto de si mesma, tratando-os com afeto e mandando presentes, mensagens, etc. para eles;
3. Abster-se de ter até mesmo um pensamento de má conduta com outro homem;
4. Tomar bom cuidado do que quer que seja ganho pelo trabalho do marido;
5. E ser habilidosa e zelar por qualquer coisa que ela possa ter para fazer.

Os deveres do marido são:
1. Tratar a mulher com devido afeto;
2. Evitar o complexo de superioridade;
3. Abster-se de má conduta com outras mulheres;
4. Autorizar a mulher a fazer o que agrada a ela (na cozinha e em outros assuntos domésticos);
5. E permitir que a mulher tenha roupas e ornamentos de acordo com sua colocação e posição na vida.

Estes deveres foram traçados há mais de 2500 anos, e ainda são aplicáveis nestes tempos modernos. Estes são os deveres que, se apropriadamente cumpridos, farão o casal feliz e próspero. Há ainda um outro conjunto de conselhos dado pelo pai de Visakha à sua filha – que mais tarde tornou-se a mais eminente devota do Buddha -, antes de entregá-la em casamento a seu marido.

Amanhã, U Silananda tocará no ponto dos funerais na perspectiva buddhista Theravada.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.