silêncio

Faça uma pausa

Em Encontro de Rios vimos que “praticar bem” envolve ação coordenada, como a centopeia que, apesar das muitas pernas, consegue andar sem tropeçar. Outra faceta do “praticar bem” é como realizamos as próprias ações.

Deve haver um espaço ou tempo livre, um vazio, entre uma coisa e outra. Esse tempo livre é realmente relaxante”. Quando o Rev. Gyomay Kubose escreveu isso ele tocava num ponto essencial da prática buddhista. Seu mestre, Rev. Haya Akegarasu dizia que era esse espaço/tempo livre que fazia com que ele tivesse tanta energia e disposição para as coisas na vida. Geralmente não prestamos atenção nisso. Não cuidamos dos intervalos. Juntamos uma atividade após a outra, misturamos, sobrepomos e, no fim, não entendemos porque nossa vida é confusa, nossa mente ansiosa e nosso corpo cansado. O intervalo é essencial, a fonte da energia. Imaginemos o que seria uma bela música se os intervalos entre as notas fossem suprimidos?! Apenas barulho…

Mas nós achamos que “não temos tempo a perder”. O futuro é uma obsessão, precisamos “fazer, fazer”, incessantemente. Somos “multitarefa”, agindo e pensando em várias coisas ao mesmo tempo. E com tal perspectiva o intervalo é uma perda, um terreno baldio que precisamos imediatamente preencher. O Buddha diz no Dhammapada: “Como num monte de lixo jogado à beira da estrada, surge o lótus de doce perfume e agradável visão”. Estamos prontos para ver as oportunidades preciosas que jazem naquilo que descartamos? Kubose diz mesmo que a “Iluminação é algo entre a linguagem e o silêncio”. Mas quanto de “silêncio” temos em nossas vidas?

Façamos uma lista dos silêncios e pausas que podemos inserir em nossas vidas. Na próxima folha continuarei com esse tema.

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