Feridas de Infância

Feridas na infância

Godwin Samararatne tem um conselho aqui para aqueles que passaram por sofrimentos e abusos na infância:

Algumas pessoas no Ocidente são muito feridas em sua juventude. Elas não tiveram como desenvolver a sua autoestima. Sentem frieza e indiferença no seu íntimo. Estas feridas podem ser tão profundas que é difícil curar-se mesmo pela bondade amorosa. É uma espécie de círculo vicioso em que estão. A pergunta é: como elas podem nutrir uma tão pequena semente de autoestima e amor-próprio?

Quando comecei a conviver mais com Ocidentais, aprendi sobre essas feridas muito sérias e profundas que lhes foram impingidas na infância. Normalmente tais pessoas carregam muita raiva e ressentimento contra seus pais. No começo me iludi ao dizer: “Perdoe seus pais, tenha bondade amorosa”. Vi que isto não funcionou porque elas vinham e me diziam: “Como posso ter bondade amorosa? Tenho vontade de bater em minha mãe, tenho vontade de bater em meu pai”. Às vezes elas tinham tanta raiva que eu senti medo. Agora o que digo é: “Por favor, traga aquela raiva. Se você quiser, você pode verbalizar tal raiva, falar aos seus pais de sua imaginação, sinceramente experimentar a raiva”. Penso que, quando crianças, elas não tiveram uma oportunidade de realmente expressar a raiva que sentiram aos seus pais. Elas estão agarradas à raiva, e às vezes, é bom por para fora”.


Nosso agradecimento ao Jorge F. por atender ao convite para traduzi-lo.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.