Ganância, Ódio e Ilusão

Por vezes existem pessoas com as quais temos problemas, pode ser o nosso chefe ou alguns dos colegas do trabalho. Em casa, pode tratar-se do nosso companheiro, companheira ou dos vizinhos. Todos nós temos situações assim na nossa vida quotidiana. O maior desafio que enfrentamos é o de nos relacionarmos com pessoas nas quais encontramos defeitos e falhas. Numa situação como esta, uma coisa importante é lembrarmo-nos de que não devemos ficar surpreendidos. Por que razão ficaríamos surpreendidos? Segundo o Buddhismo, os seres humanos comportam-se deste modo devido aos três venenos, a ganância, o ódio e a ilusão, ou seja, a ignorância, não conhecer a realidade ou ignorá-la. Todos nós temos estes três venenos em nós.

Quando os vemos em outra pessoa, percebemos: “Aquilo que tenho, vejo-o também nesta pessoa”. Se conseguirmos compreender realmente esta percepção, conseguiremos sentir compaixão pelas pessoas que revelam as suas fraquezas, a sua humanidade, sem nos zangarmos, sem criarmos uma ferida. A nossa reação mais comum é ver essa pessoa como alguém inferior. Trata-se de um hábito nosso muito arraigado, e fazemos o mesmo conosco. Não vemos a natureza de Buddha em nós, quase nos recusamos a ver as qualidades, por isso devemos fazer um esforço especial nesse sentido. Nos textos buddhistas, o Buddha se refere frequentemente à importância de refletir nas coisas boas que fizemos. Isso pode nos dar uma tremenda confiança, tremenda alegria e também uma considerável clareza e ânimo. Com esta perspectiva, relacionamo-nos de uma maneira inteiramente diferente com as fraquezas humanas em nós próprios e nos outros“.

Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido por Isabel H.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.