Ha Long

Eh hora de partir de Hanoi. Seguimos pelos campos de arroz e mulheres andando de bicleta com seus chapeus em forma de cone em direcao a costa. O barco que tomaremos eh o Tung Tuang, pronto para carregar um brasileiro, uma francesa, uma americana, uma inglesa, um neozelandes e tres australianos. Possuidor de tres andares, o do meio serve de sala de refeicoes, o de baixo eh onde se encontram os quartos e acima fica o terraco com cadeiras espichadas para observarmos a paisagem. De posse de meu novo bone com a bandeira vietnamita, pulo no barco para uma viagem de dois dias no mar.

A Baia de Ha Long, onde me encontro no momento, concorreu para ser uma das sete maravilhas naturais do mundo atual. Sem duvida, eh um dos mais belos lugares em que ja estive, e note-se que jah andei bastante. Pegamos um barco no porto e depois de talvez uns 40 minutos paramos para ver as cavernas que jazem escondidas em uma das montanhas no meio do mar. Elas sao imensas e impressionantes, mas para aqueles que conhecem Minas Gerais, existe um certo ‘que’ de dejavu. O que eh realmente impressionante em Ha Long sao as centenas e centenas de montanhas, montes e rochas que surgem majesticamente do meio do mar.

Eh como se alguma divindade lah em cima resolvesse brincar de jogar ‘pedrinhas’ ao mar e espalhasse centenas delas pela regiao. Durante toda a tarde o barco singrou pelas aguas verdes da baia, praticamente em linha reta; as rochas estavam lah, desabrochando suas centenas de metros acima do mar, incessantemente, indefinidamente. As fotos que voces veem foram tiradas continuamente, do meio-dia ate as 6 da tarde. Esse eh um lugar em que facilmente eu poderia passar semanas e meses. Quem sabe eu poderia me mudar para cah, comprar um barquinho, viver nele e sobreviver comendo peixe…

O barco possui uns dez quartos duplos. A ideia eh hoje dormirmos no barco. Os poucos vietnamitas que estavam no barco pararam no ultimo porto e dormirao num hotel. A explicacao eh de que nao queriam dormir no barco com medo dos tufoes. O que nao ficou claro para nos eh se eles geralmente sao assim, ou se eles estao a par de algum tufao vindo nessa direcao… Enfim, isso eh algo que em breve saberemos.

No momento, o barco parou e a turma saiu para andar de caiaque. Infelizmente minha companheira francesa aqui tem medo de caiaque entao fiquei sem parceiro para a aventura.

Entao aproveito para escrever deitado numa das poltronas no topo do barco. A temperatura eh quente, sem ser escandante, e o ar bastante humido. Diante de mim, tres cadeias de montanhas se erguendo do mar uns 300 metros. A vegetacao domina a maior parte delas apesar de que partes de rocha cinzenta e branca aparecem em grandes pedacos aqui e ali. A minha esquerda, umas cinco casinhas construidas em cima do mar, sem qqr conexao com o paredao rochoso. Pessoas moram nessas casinhas que servem para cuidar dos caiaques e abastecer de peixes e frutos do mar os barcos que por aqui passam.

Fico imaginando o que seria delas se um pequenino tsunami passasse por aqui. Uma mera onda de 1,5 metro jah seria o bastante para acabar com tudo por aqui. Bem, vamos esperar que o tal tufao nao passe por aqui… Voces terao que aparecer amanha para saber!

A minha esquerda, mais montanhas e um caminho maritimo entre elas. Eh por lah que em breve seguiremos. Suponho que logo mais ja estarah na hora da janta. No almoco tivemos arroz, peixe, lula, tofu e varios vegetais. O arroz eh delicioso. A calma impera.

O motor do barco eh quase silencioso, pequenos soquinhos de som empurram o conjunto de madeira por entre as aguas pacificas enquanto picos rochosos testemunham tempos imemoriais. Pequenos barcos pesqueiros tambem se esgueiram com roupas para secar penduradas em seus mastros. Uma aguia passa sobre nos, solitaria como o pequeno pagoda que se pode avistar ao longe, no pico de uma das montanhas.

Entardecer em Ha Long (nao parece filme de pirata?)

Um pouco de arte…


A Noite em Sepia

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

4 Comments

  1. Maravilhoso! Belo lugar, palavras inspiradoras… Quase dá pra sentir a atmosfera daqui do outro lado do mundo. Bah… muitos méritos hein Professor!

  2. Hoje pela manhã, avistando a serra do curral pensei… montanhas, meu local predileto. Ao ver essas fotos agora, vejo que não é preciso escolher entre mar e montanhas, literalmente existe um “mar de montanhas” belíssimo nestas terras por onde andas. A idéia de comprar um barquinho e ficar por aí é tentadora. Parabéns pelas fotos e o texto poético! Abs.

  3. Muito bom este diário de bordo. Bom passeio por aí. Abs. Fátima

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