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Mahayana vs. Theravada III

Por agora, espero, os ocasionais leitores das Folhas já tiveram oportunidade de ler o artigo sugerido e formado suas próprias opiniões.

Antes de mais nada é preciso dizer que uma característica de ambos os textos a serem analisados é a de que seu objetivo ou intenção não é de prejudicar ou difamar a tradição Theravada. Pelo contrário, desejam mesmo apresentá-la sob uma luz favorável (o que, é claro, já sugere que imaginam que ela necessite de tal coisa). Entretanto, por falta de conhecimento, acabam repetindo os mesmos preconceitos e “memes” já assimiladas pela atmosfera buddhista dominante. Querendo ajudar, acabam prejudicando.

O primeiro texto começa esclarecendo que há “diferenças significativas entre os dois principais movimentos do Budismo atual, Mahayana e Theravada“. Com o objetivo, então, de esclarecer tais diferenças é afirmado que “essas divisões mutuamente exclusivas contrastam entre si“.

Sigamos o autor, tentando entender por que seriam “divisões mutuamente exclusivas“. O texto explica que “a principal e fundamental divergência entre os dois grupos, da qual pode-se concluir que todas as demais derivam, é que a prática Mahayana enfatiza uma inclusividade que se apresenta como a antítese da preservação doutrinária Theravada“.

O que realmente isso pode querer dizer?

A “divergência fundamental” que o autor aponta entre os dois grupos é colocada, aqui, como a existência de uma “inclusividade” que o Theravada não possuiria. Em que consiste tal “inclusividade“? Notamos que ela é definida contrapondo-a a uma “preservação doutrinária” que o Theravada possuiria. Isso leva a crer que o autor quer dizer com “inclusividade” uma facilidade dentro do Mahayana em incluir elementos não-doutrinais em seu seio, ou seja, enquanto o Theravada é símbolo de preservação doutrinária, o Mahayana, segundo o autor, enquanto antítese disso, seria símbolo seja de não-preservação da doutrina ou de preservação da não-doutrina! Digamos que em ambos os casos de ser uma “antítese” essa talvez tenha sido uma palavra infeliz por parte do autor, mas que teremos oportunidade adiante de conhecer melhor o que desejou expressar.

Enquanto isso, voltem lá para o texto original e leiam-no novamente. Entender a tal inclusividade é importante pois é como o autor justificará o progresso dos dois ‘grupos’.

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