Mahayana vs. Theravada VI

Continuando de Mahayana vs. Theravada V

Voltemos ao nosso tema. Por encarar o ideal do Arahant como egoísta e baixo, o Mahayana *não* descreveu o ideal do Bodhisattva “como o mais desejável na busca da iluminação”, como diz nosso autor, mas como o *único* realmente merecedor de ser considerado! Enquanto o Theravada propunha que dois caminhos estavam abertos aos seres, o Mahayana postulou que só havia *um* caminho, a ponto de, em seus primórdios, o Mahayana ser conhecido também com o nome de “Bodhisattvayana”. O que dizer então sobre “flexibilidade”? No meu dicionário, “ser flexível” é ser aberto a diversas e variadas expressões com relação a um mesmo tema e considerá-las como igualmente válidas e verdadeiras. Qual tipo de Buddhismo parece ser o mais flexível nessa questão? O que propõe haver duas alternativas ou o que afirma que das duas somente uma deve ser seguida?

Não é impressionante que isso passe desapercebido e que se continue atribuindo ao Mahayana maior flexibilidade do que no Theravada, e ainda mais justamente no ponto em que demonstra ser mais inflexível?

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.