Nossas exigências

nossas exigências

Os relacionamentos podem enfrentar desafios quando nos apercebemos dos defeitos das outras pessoas. Qualquer que seja o relacionamento, por vezes vemos a outra pessoa a comportar-se de uma maneira diferente daquela que pensamos que deveria se comportar. Habitualmente, quando vemos as fraquezas das outras pessoas temos tendência para nos tornarmos muito críticos. Queremos que sejam diferentes e zangamo-nos com elas. Achamos que são inferiores a nós e tentamos corrigi-las. Isso demonstra que exigimos um determinado comportamento das pessoas.

É engraçado como na vida fazemos exigências a nós mesmos, de como devemos nos comportar. Exigimos a nós próprios comportarmos de acordo com o nosso próprio modelo de perfeição. Do mesmo modo, projetamos o nosso modelo de perfeição nos outros. Consequentemente, exigimos que o seu comportamento corresponda ao modelo de perfeição que temos em relação a eles.

Mas ficamos por aí? Não, até à vida exigimos que seja como gostaríamos que fosse. Vejamos o clima, por exemplo. Quando está um tempo característico da Holanda, exigimos que seja como no Sri Lanka! Quando o tempo está como o do Sri Lanka, ficamos muito felizes e quando está como o da Holanda ficamos infelizes.

É realmente engraçado como exigimos coisas da vida, como exigimos coisas de nós próprios, como exigimos coisas dos outros. Naturalmente que não conseguimos satisfazer todas as exigências que fazemos a nós mesmos, e claro que os outros não conseguem satisfazer todas as exigências que lhes fazemos.

Aqui vemos uma forma muito simples e direta que utilizamos para criar o nosso próprio sofrimento. Criamos os nossos próprios problemas sem nos apercebermos de que advêm das exigências que nos impomos, sem nunca levantar a questão: ‘Até que ponto são realistas as minhas exigências?’

Um ensinamento do prof. de dharma Godwin Samararatne, traduzido por Isabel H.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.