O Buddha e as impressoras

Nas opções de minha impressora, como eu creio, na de muitas pessoas, há as opções de imprimir em branco e preto, tons de cinza e colorido. É interessante pensar nessa opção branco e preto, pois algumas pessoas parecem ser assim. Para elas tudo é dividido em branco e preto, bom e ruim, agradável e desagradável. Não há tons de cinza para elas. Não há há possibilidade das coisas serem um pouco de cada, nenhuma das duas, alternadamente outras coisas. Elas classificam as outras pessoas como boas ou ruins. E, claro, as boas são aquelas que concordam com elas, que as adulam e apoiam. As ruins, bem, são todas as outras! Nas ‘ruins’ não há nada de bom. E assim com as experiências que têm na vida. Já se colocam na vida prontas para classificarem tudo em preto e branco. Também nisso não há tons de cinza para elas. E, sendo assim, também não há reflexão, diálogo, possibilidade de interação, pois tudo se resume em se ‘elas’ concordam ou não ‘comigo’. O Buddha diz que “aqueles que neste mundo seguiram para além do bem e do mal e de ambos, que é livre do pesar (que, claro, vem desse monótono julgar as coisas em modos bidimensionais), esse é livre das paixões e puro – a esse eu chamo de homem superior“. O Buddha não conhecia as impressoras, mas de algum modo creio que ele acharia curioso a atitude desses que sempre escolhem ver o mundo em duas cores apenas.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

4 Comments

  1. Pois … Zero e um, eu e outro, preto e branco, certo e errado, satisfatório e insatisfatório, … Só confusões . Um abraço .

  2. e acho, Pedro, que com a costela podemos dar mais um passo analógico!
    zero e um, grosso modo, é movimento e interrupção de movimento. a máquina cria seu mundo virtual assim. nossa mente, me parece, via avijja, cria nosso mundo ‘real’ também interrompendo o movimento. existir depende desta “interruptização”.
    nibbana está além de zero e um.

  3. Diria mais, usando a costela informática:

    “(que, claro, vem desse monótono julgar as coisas em modos binários, zero ou um, como um COMPUTADOR, e todos sabemos quão frios eles são)”

    abraço.

  4. obrigado, dhanapala!
    esta forma de ver as coisas é fruto direto de não ver as coisas! o mero esforço para ver, e ver conforme o Buddha nos instrui, as coisas como dependentemente originadas, impermanentes e insatisfatórias, já deixa o mundo com muito mais cinzas!
    😀

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