O espírito de Judas

Excelente entrada publicada hoje no Pico da Montanha. Enquanto arquétipos, Judas e Devadatta permeiam a história da humanidade. O autor delineia quatro etapas do processo de “judaização/devadattação”. As quatro são, ademais, bastante conhecidas, na prática, por qualquer um que já se encontrou em alguma posição de liderança.

Tudo começa com o culto apaixonado. É a fase do enamoramento, quando elogios exagerados começam ocorrer, o indivíduo tenta ajudar, se dispõe para aquilo que é necessário, está presente, se oferece para assumir funções, não perde uma oportunidade para aparecer e ‘dizer’ estou aqui e te admiro. Por trás disso estão uma inveja e um querer ser o próprio ser admirado em sua personalidade, função, posição ou capacidades. Por vezes, incapaz de ser aquilo/aquele a quem se admira, a solução encontrada é estar perto de alguma forma, comportar-se como ele, pesquisar sua vida, imitar seu jeito e maneirismos, ou mesmo se aproximar daquilo/daqueles que são próximos de seu admirado.

Por vezes isso tem também a expectativa de ser eleito como “favorito”, ter vantagens, retribuições. O que ocorre é que, se negado dos “privilégios” secretamente esperados, a inveja se manifesta como intriga, ódio e/ou mentira. Não podendo ser idêntico ao objeto admirado, resta o caminho da reunião dos aliados, aliança com elementos opositores que geralmente compartilham do mesmo sentimento de amor/ódio, intrigas e venenos. Num nível já psicopatológico e violento, chegamos à situação tão bem expressada por Patricia Highsmith em o Talentoso Mr. Ripley, em que mostra o quão longe alguém pode ir para tentar ser um outro.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

2 Comments

  1. “Schadenfreud”

    Que sejamos livres de schadenfreud!!!

    Maya

  2. Excelente aprofundamento do post do picodamontanha, principalmente por sua análise psicológica, ( não fora Dhanapala o redator!)

Comments are closed.