O Grande Silêncio

Emerson Z. nos manda essa interessante notícia que saiu na BBC. De fato, é no ambiente contemplativo que Buddhismo e Cristianismo mais se parecem, um ambiente que, infelizmente, encolhe-se e torna-se cada vez mais escondido aos olhos das pessoas comuns. Nesse sentido, sempre é bom lembrar que nesse carnaval, uma experiência semelhante de retiro, agora buddhista, ocorrerá em Belo Horizonte, para aqueles desejosos de experimentar um pouco do silêncio contemplativo.

Um filme inusitado está lotando os cinemas na Alemanha nas últimas semanas: um documentário de três horas quase sem palavras, que se passa em um monastério nos Alpes franceses.

O documentário alemão Die Groesse Stille (O Grande Silêncio, em tradução literal) traça um perfil detalhado das vidas dos monges cartuxos que vivem no monastério alpino.

A autorização para filmar os religiosos foi dada 17 anos depois do pedido inicial do diretor alemão Philip Groening.

O monastério não tem luz elétrica, e a escuridão só é quebrada pelas velas. No meio da noite, os monges se reúnem vestidos em grossas túnicas para recitar versos gregorianos.

Deus e felicidade

“Acho que eles só vivem assim porque decidiram ficar próximos de Deus”, afirmou Groening.

“É um conceito muito simples, e esse conceito é o próprio Deus, a felicidade pura. Quanto mais você se aproxima disso, mais feliz é.”

O pedido inicial para filmar o documentário no monastério de Grande Chartreuse foi feito há 17 anos.

Quando ele finalmente conseguiu entrar lá, encontrou um mundo altamente disciplinado que quase não mudou desde a criação da ordem dos cartuxos, há mil anos.

Os monges fazem um voto quase total de silêncio, falando em pouquíssimas ocasiões.

O filme traça a rotina infinitamente repetitiva dos monges. Ele mostra como os monges se alimentam, como dormem sobre finos colchões de palha com apenas um pequeno forno como aquecimento para o frio dos Alpes franceses.

O diretor afirmou que depois de morar com os monges por vários meses, a perspectiva dele sobre a vida mudou.

“Quando saí do monastério, pensei exatamente sobre o que eu tinha vivido e me dei conta de que eu tive a oportunidade de viver em uma comunidade que praticamente não tem medos.”

Os cartuxos são a ordem cristã mais rigorosa e acreditam que a vida é apenas uma transição.

BBC

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.