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Os limites da ignorância perceptiva

Nosso amigo, o prof. Miklos, traduziu e publicou uma excelente reportagem. Resta-nos apenas divulgá-la e repetir sua conclusão final: “Quantas outras coisas maravilhosas estamos perdendo em nossa ânsia por correr atrás de nossas expectativas?” E realmente, há tantas coisas maravilhosas que ocorrem nas vidas das pessoas todo o tempo. Surpresas acontecem, a cada esquina. Mas nos prendemos em expectativas, ilusões, fantasias e hábitos. Como gostaríamos que o passado tivesse sido… como desejaríamos que o futuro viesse a ser… como gostaríamos de ser… o que gostaríamos de ter… No final, não vemos o que está à nossa frente, não damos valor a coisas preciosas que nos aparecem e, enfim, perdemos o presente que o presente nos traz.

O Abismo do Eu – os limites da ignorância perceptiva

Este acontecimento significativo está sendo divulgado em diversos meios virtuais. Foi traduzido do ingles por Claudio Miklos.


A SITUAÇÃO

Em Washington D.C., em uma Estação do Metrô, numa manhã fria de Janeiro 2007, este homem com um violino tocou seis peças de Bach por cerca de 45 minutos. Durante este tempo, aproximadamente 2.000 pessoas passaram pela estação, a maioria delas em seu caminho para o trabalho. Após 3 minutos, um homem de meia-idade percebeu que havia um músico tocando. Ele diminuiu o seu passo e parou por poucos segundos, então correu para cumprir seu horário.

Cerca de 4 minutos depois:

O violonista recebeu seu primeiro dólar. Uma mulher, sem se deter, jogou o dinheiro no chapéu colocado no chão diante do músico e continuou a caminhar.

Em 6 minutos:

Um homem jovem encostou-se no muro para escuta-lo, então olhou para seu relógio e retomou a caminhada.

Em 10 minutos:

Um menininho de 3 anos parou, mas sua mãe o empurrou urgentemente para continuar a caminhar junto dela. O menininho parou novamente para olhar o violinista , mas a mãe o puxou forte e a criança continuou a andar, virando a cabeça todo o tempo para trás. A ação foi repetida por todas as outras crianças que passaram pelo músico, mas todos os pais – sem excessão – as forçavam para se moverem rapidamente.

Em 45 minutos:

O músico tocava de maneira ininterrupta. Apenas 6 pessoas pararam e ouviram por curto espaço de tempo. Em torno de 20 deram-lhe dinheiro mas continuaram a caminhar em seu passo normal. O homem conseguiu um total de US$32.

Após 1 hora:

Ele parou de tocar e o silêncio dominou o ambiente. Ninguém percebeu e não houveram aplausos. Não houve qualquer tipo de reconhecimento.

Ninguém sabia, mas o violonista era Joshua Bell, um dos mais geniais músicos do mundo. Ele tocou impecavelmente uma das mais complexas peças musicais jamais escritas, usando um violino que valia US$3,5 milhões. Dois dias antes, Joshua Bell esgotou os lugares de um teatro em Boston onde o público pagou US$100 por ticket, para sentar e ouvi-lo tocar a mesma peça de Bach.

Esta é uma verdadeira estória. Joshua Bell tocando incógnito em uma estação de metrô de Washington foi parte de um experimento social chamado “Percepção, Gosto e Prioridades Pessoais”.

O experimento levantou várias questões:

– Em um ambiente comum, em uma hora inapropriada, somos capazes de apreender a beleza?
– Se assim for, somos capazes de aprecia-la?
– Reconhecemos o talento em contextos inesperados?

—-

Se não dispomos de um pouco de tempo para parar e ouvir um dos melhores intérpretes do mundo, tocando uma das mais maravilhosas peças musicais escritas em todos os tempos por meio de um dos instrumentos mais finamente feitos… Quantas outras coisas maravilhosas estamos perdendo em nossa ânsia por correr atrás de nossas expectativas?

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4 Comments

  • 10/05/2010 - 2:10 am | Permalink

    Esse post nos faz refletir o quanto é nescessario estar atento a cada pedacinho do tempo que vivemos , para que assim possamos apreciar as coisas belas que temos ao nosso alcance todos os dias, seja a melodia de uma bela música,o som do metrô,uma ação boa de alguém, uma palavra,uma flor,enfim muitas coisas…é só estar atenta para acha-las…
    um abraço.

  • Anonymous
    08/05/2010 - 12:15 am | Permalink

    Num dos posts anteriores o prof. escreveu: “O Dharma nos une nos objetivos na vida, nos princípios utilizados para viver, no modo como buscamos ver o desenrolar da existência diante dos olhos”.
    Vem agora o Prof. Miklos com esta reflexão sobre o que fazemos com o momento presente. E os textos vão se encadeando lindamente, nos levando para o que realmente interessa. Abs. Fátima

  • 07/05/2010 - 2:28 pm | Permalink

    Ah, o Buddhadhamma!!
    “O que eu fui? O que eu serei? O que eu sou?”
    É com estes pensamentos que perdemos o nosso tempo, conforme ensinou o Buddha!
    Nunca estamos! Pensamos sempre onde deveremos estar!

  • 07/05/2010 - 1:32 pm | Permalink

    E porque ouvir alguem tocando bach seria melhor que ouvir o som do metrô andando ou ir pro trabalho na hora certa? Ou mesmo ouvir as vozes da cidade? As pessoas tambem tem que se desapegar de Bach!

  • Comments are closed.

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