Palavra e Silêncio na Natureza

O término do retiro com Bhante Ottama no Nalandarama deixou para todos, unanimemente o gosto de ‘quero mais’. Foram dias muito bons, de muita gentileza e cuidado que marcaram realmente os dias de retiro. Na prática pura de vipassana que foi introduzida o eu se torna claro em suas demandas e artimanhas. Como diz Bhante Ottama: “A ideia do “self” está fortemente enraizada em nossa mente; somos extremamente apegados a ela. Quando nossa vida está em perigo real, os instintos assumem o controle – a natureza cuida de si mesma. Mas quando nosso “eu” ou “ego” está em perigo, somos arrebatados pelas emoções. O conceito do “eu” é um grande fardo, um fardo inútil. Libertarmo-nos desta condição não significa ficar pessoal e socialmente incompetente, como algumas pessoas incorretamente assumem. Um arahant é livre de apego a qualquer tipo de imagem própria, de todas as ilusões de um “eu” e, no entanto, é conhecido por ter “uma mente como um diamante”.

um primeiro grupo chega no Nalandarama

Acredito que um ambiente próximo à natureza é um recurso importante nessa apreensão da não utilidade de um “eu”. Existe um tipo de ‘felicidade natural’ que sem percebermos vai entrando em nós a partir da simplicidade do ambiente. Bhante Ottama diz que: “O Buddha entendeu que todos procuram a felicidade, mas ele viu que a maioria das pessoas faz coisas que levam inevitavelmente ao sofrimento e tormento. Esta foi uma razão pela qual ele finalmente decidiu ensinar“.

uma conversa com o primeiro grupo
de participantes a chegar antes do retiro
Nalandarama Fev, 2012

 Quando a isso se junta um professor que sabe tão bem equilibrar o silêncio, a palavra bem humorada e uma humildade’ genuinamente ‘franciscana’, bem como amigos dedicados ao Dhamma, temos, então, um ambiente ideal para o esforço.

Como disse uma participante: “Este retiro foi um divisor  de águas na minha vida!”

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

2 Comments

  1. Acredito que todos nos encontramos algo inesperado nestes dias: uma possibilidade de paz num mundo tão atribulado. Namastê! Parabéns pelo Blog ótimos textos.

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