Primeira Ordenação de Monjas Theravada na Indonésia, Após Mil Anos

 

ordenação de mulheres na Indonésia

Por Sutar Soemitro

Depois de ter ficado adormecida por mais de 1000 anos na Indonésia, a linhagem de bhikkunis Theravada voltou naquele país através da primeira cerimônia de ordenação contemporânea de bhikkuni que aconteceu no Vesak 2559 BE/2015 CE – dia 21/06/2015, um domingo.

Essa ordenação é um sinal positivo para as buddhistas indonésias que querem dedicar suas vidas escolhendo viver de forma monástica para alcançar o potencial de realização espiritual.

Mais do que ser um evento brilhante, a ordenação objetiva fortalecer os quatro pilares da escola buddhista Theravada na Indonésia, que consiste em: homens de família (upāsaka), mulheres de família (upāsikā), Bhikkhu Sangha (a sangha monástica masculina) e Bhikkhuni Sangha (a sangha monástica feminina).

A ordenação histórica foi realizada no Wisma Kusalayani em Lembang, Bandung.

“É uma grande honra que a Indonésia tenha recepcionado a ordenação internacional de samaneris (bhikkhunis potenciais) vindas do exterior”, disse Bhikkhuni Santini, Presidente da Indonesian Theravada Bhikkhuni Association (Perbhiktin).

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Ayya Santini, como ela é familiarmente chamada, acrescentou que havia nove samaneris que se submeteram à ordenação, das quais duas são da Indonésia e as outras sete são do exterior. São elas as bhikkhunis: Vajiradevi Sadhika Bhikkhuni da Indonésia, Medha Bhikkhuni do Sri Lanka, Anula Bhikkhuni do Japão, Santasukha Santamana Bhikkhuni do Vietnã, Sukhi Bhikkhuni e Sumangala Bhikkhuni da Malásia, e Jenti Bhikkhuni da Austrália.

A cerimônia de ordenação foi orientada pelo Venerável Bootawatte Saranankara da Malásia na função de Bhikkhu Upajjaya e Bhikkhuni Santini na função de Bhikkhuni Upajjaya, bem como um número de bhikkhus e bhikkhunis de vários países que serviram como [Kammavacariyas e] Kammavacarinis, e um quorum de testemunhas convidadas [da Dupla Sangha]. A cerimônia de ordenação também recebeu grande atenção com a presença de cerca de 1500 pessoas, número para além da capacidade de assentos do evento.

A cerimônia de ordenação começou depois do almoço. As nove candidatas a monjas fizeram a circumambulação três vezes à volta da stupa, localizada atrás dos edifícios do mosteiro, próxima da casa dos hóspedes, enquanto flores eram lançadas no chão por onde as monjas passariam. A atmosfera era tranquila e serena, com toda a assistência guardando um solene silêncio. O único som audível era o repetido soar do sino.

Após a circumambulação, as futuras bhikkhunis caminharam até os bhikkhus e bhikkhunis que, então, formaram juntos uma procissão até o prédio de Uposatha-gara. Antes de se tornar um local certificado de ordenação, o Uposatha-gara foi oficialmente aberto pelo Ven. Bootawatte Saranankara, e a ordenação foi oficialmente aberta pelo diretor geral do Ministério Indonésio para Assuntos Religiosos, Dasikin Buddha; em seguida, houve oferendas de apoio às futuras bhikkhunis por oficiais do governo e patronos.

A ordenação foi feita em duas etapas. A primeira etapa foi a ordenação pela Ordem das Bhikkhunis, dirigida pela Bhikkhuni Santini, enquanto a segunda fase da ordenação pela Bhikkhu Sangha foi liderada pelo Ven. Bootawatte Saranankara.

“Com base em informações históricas, a ordenação de bhikkhunis na Indonésia deixou de ser realizada há mais de mil anos”, disse o Presidente da Comissão Handani Widjaja. “A ordenação de bhikhunis hoje será um momento histórico, este progresso irá acelerar a difusão dos ensinamentos buddhistas no amado solo da Indonésia. A partir de hoje, não haverá qualquer dúvida para os buddhistas da Indonésia, especialmente para as mulheres, de que podem viver a vida fora do lar e se tornarem uma samana/bhikkhuni”, continuou Handani.

Enquanto isso, Dasikin não negou a existência de vários grupos na religião buddhista que não aprovam a ressurreição da Sangha [Theravada] de Bhikkhunis após ter se extinguido no século 11.

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“A Comunidade das Monjas Theravada na Indonésia é o reconhecimento da igualdade de gênero na sua tarefa de manutenção do Buddha Dhamma. O próprio Buddha estabeleceu uma base sólida para o respeito dos direitos das mulheres, colocando as mulheres como pessoas que devem ser honradas não só como um samana, mas também reverenciadas como uma figura materna”, disse Dasikin.

A bhikkhuni theravada Ayya Santini foi a primeira a ser ordenada na Indonésia contemporânea, no entanto, desde sua ordenação como bhikkhuni em 15 de abril de 2000, até agora, isso não foi totalmente aceito por todos os buddhistas. As bhikkhunis theravadas estão presentes na Indonésia e em vários países, o que ainda suscita prós e contras porque algumas pessoas acham que a linhagem foi interrompida.

A luta incansável de Ayya ​​Santini pela igualdade entre gêneros no reino espiritual premiou-a com o “Outstanding Women in Buddhism Award” pelas Nações Unidas em 2007 relacionado ao Dia Internacional das Mulheres.

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Ayya ​​Santini explicou que a ordenação almeja prover inspiração positiva às mulheres buddhistas da Indonésia que têm um desejo de viver a vida como bhikkhuni. Além disso, foi um ponto alto no reconhecimento completo da posição das mulheres no Buddhismo da Indonésia.

“Basicamente, o Buddhismo não distingue entre homens e mulheres baseados no gênero. O próprio Buddha enfatizou que em um casamento, marido e esposa têm as mesmas responsabilidades”, disse Ayya Santini. Ayya espera que, por meio dessa ordenação, as mulheres monásticas buddhistas apoiarão ativamente o desenvolvimento do Buddhismo na Indonésia.

Apareceu em Buddhazine.com | Michael Bliss | Monday, 22 June 2015 18:08 PM News

Artigo Original na língua Indonésia: http://buddhazine.com/upasampada-bhikkhuni-theravada-pertama-di-indonesia-setelah-seribu-tahun/

Traduzido pelo Grupo de Tradução do Centro Nalanda
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Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.