tolice do eu

Uma das palavras mais importantes de toda a doutrina buddhista é talvez uma das mais desconhecidas: idappaccayata. Tan Ajahn diz que: “Os quatro significados de dhamma – natureza, leis da natureza, deveres de acordo com as leis da natureza e os devidos resultados – estão todos incluídos no significado único da palavra Idappaccayata (a Lei da Condicionalidade)”. Estes quatro significados já foram explicados anteriormente.

Uma vida ‘contemplativamente buddhista’ poderia facilmente ser delineada como se baseando nesses quatro itens, culminando com a plena apreensão de Idappaccayata. Se conseguirmos ver todas as coisas (objetos externos e internos, pessoas e situações) sob o prisma dos quatro significados do Dhamma saberemos como realmente tudo é e nossa função ou dever a cada momento. Doutrina, prática e preceitos estão incluidos aí.

A partir da lei da condicionalidade, ‘isso sendo, aquilo é’, compreendemos a estupidez dos conceitos de posse e propriedade, incluindo a posse do próprio ‘eu’. Ajahn Buddhadasa conclui: “Não se agarrem ou se prendam ao dhamma como sendo ‘eu’ ou ‘meu’, pois isso os machucará; essa é a conclusão chegada pelo Buddhismo”. Uma vez que tudo depende de outros elementos para sua existência, ‘eu’ e ‘meu’ são apenas conceitos tolos sem base na realidade.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.