buddhadasa

Trate cada amigo humano

TRATE CADA AMIGO HUMANO PENSANDO QUE:

Ele é nosso amigo que nasceu para envelhecer, adoecer e morrer – conosco.

Ele é nosso amigo que vaguea pelos ciclos impermanentes – conosco.

Ele está sob o manto das impurezas – como nós -, portanto erra algumas vezes.

Ele também possui desejo, ódio e ilusão – não menos que nós.

Ele, portanto, erra algumas vezes – como nós.

Ele não sabe o porquê nasceu e nem conhece o nibbāna – tal como nós.

Ele é tolo com algumas coisas – como costumamos ser.

Ele faz algumas coisas de acordo com suas próprias vontades – do mesmo modo em que estamos habituados a fazer.

Ele também quer ser bom – tanto quanto nós queremos ser mais do que bons – eminentes – famosos.

Ele com freqüência e quando pode deseja mais e mais dos outros – exatamente como nós.

Ele tem o direito de ser loucamente bom, alucinadamente bom, iludidamente bom, asfixiantemente bom – exatamente como nós.

Ele é um homem comum apegado a muitas coisas – exatamente como nós.

Ele não tem a obrigação de sofrer ou de morrer por nós.

Ele é nosso amigo, com a mesma nacionalidade e religião.

Ele age impetuosa e abruptamente – exatamente como fazemos.

Ele tem a obrigação de ser responsável por sua própria família – e não pela nossa.

Ele tem o direito a seus próprios gostos e preferências.

Ele tem o direito de escolher qualquer coisa (mesmo uma religião) para sua própria satisfação.

Ele tem o direito de dividir igualitariamente o bem público conosco.

Ele tem o direito de ser neurótico ou tolo – assim como nós.

Ele tem o direito de pedir por nossa ajuda e compreensão.

Ele tem o direito de ser perdoado por nós de acordo com as circunstâncias.

Ele tem o direito de ser socialista ou libertário de acordo com sua própria disposição.

Ele tem o direito de ser egoísta, antes de pensar nos outros.

Ele tem o direito humano, igualmente ao nosso, de estar neste mundo.

Se assim pensarmos, nenhum conflito ocorrerá.

Buddhadāsa Indapanno
Mokkhabalarama, Chaiya
22 de maio, 2531

Traduzido por F. Domicildes

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One comment

  • Fabiana Gomes - SBB RJ
    07/10/2006 - 4:58 am | Permalink

    Tão simples e tão bonito :o)
    Parabéns pela linda homenagema ao mestre, Ricardo.
    Metta,
    Fabiana

  • Comments are closed.

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