Universo Angkor Wat – 4

Pátchima:

Saímos pela manha em direçao ao Templo Banteay Srey, sec. X, ano 967. É chamado de Cidadela da Mulher. Em seu portao de entrada está gravada a imagem de Indra (fazem idéia? gravada há mil anos!!!!). O templo é bem afastado. Fora do grande complexo de Angkor Thom. Está distante 37 km de Siem Reap.


A entrada nao revela tudo que tem dentro!

Os entalhes nas portas sao maravilhosos. Acredita-se que é chamado de cidadela da mulher porque a riqueza de detalhes em suas gravaçoes é muito refinada. Isso faz crer que os artesaos seriam mulheres. Aqui como em todos os outros templos nao é possivel deixar de ressaltar a beleza das árvores que circundam o templo. Quando já estávamos deixando o templo, ouvimos ao longe uma bela música e soubemos que era tocada por um grupo de vítimas das minas da guerra.

Fomos para Banteay Samre, templo construído no sec. XII, entre 1113 e 1150, pelo Rei Surya Varanam II. Templo hinduísta dedicado a Vishnu. Logo na entrada há um ataúde onde as pessoas mortas eram colocadas em posicao fetal.


O que ela estaria fazendo aí?

Seguimos para o templo Preah Khan, templo do sec. XII, ano 1191. Alann nos contou que Preah Khan era uma universidade. A quantidade de portas impressiona, mais de 40!


É um templo hinduista/budista. Aqui pudemos observar gravaçoes diferentes da fase budista e hinduista numa seérie de imagens já na entrada. Em algumas gravaçoes na parede o eremita está sentado em posiçao de meditacao budista com joelhos tocando o chao. As mesmas imagens sofreram uma correçao e os joelhos deixam de tocar o chao.


Aqui como em Ta Prohm encontramos árvores crescendo por entre a construçao. Aqui há nagas (serpentes) gigantes na entrada. Já vimos em vários outros templos também.


Muitos templos do universo angkor wat foram construidos ou com arenito ou laterite. Há livros e livros que contam o que cada templo representa conforme as varias condiçoes presentes em cada época.

Dependendo do século em que foram construídos, os estilos, caracteristicas de construçao, inscriçao na parede, esculturas, gravaçao de imagens, entalhes, etc., vao mudando.

Nesta manha encerramos nossa visita pelo universo angkor wat. No período da tarde, após descanso porque o calor aqui nao é mole nao… fomos visitar um vilarejo flutuante no maior lago do Camboja. o Tonle Sap. Tao grande que dá a impressao de oceano. Durante o período de seca ele tem 3000 km2 de extensao. No periodo das chuvas ele aumenta 05 vezes mais, inundando uma grande area!!!


Fomos tomar um barco num pier a beira do lago. Lago adentro comecam a aparecer casas flutuando sobre barcos ou grandes plataformas. Impressionante! Tudo na água. Igrejas, mercadinhos, quadras de esporte, hortas, criaçao de porcos, tudo flutuando. Neste vilarejo moram perto de 100.000 vietnamitas e cambojanos. Vez por outra uma canoinha com vietnamitas vendendo refrigerantes se aproximava, pulavam em nosso barco, ofereciam e saiam. Descemos num barco flutuante onde se pode ver o por do sol no grande oceano cambojano.

Hoje é o último dia que Alann nos acompanhará. Amanha voltamos a Thailandia. Ela nos orientou e cuidou de forma muito especial. Somos muito gratos a ela pelo que aprendemos da cultura cambojana.

Ao longo de nossa estada no Camboja, seja pelas palavras da Alann, seja pelo nosso olhar, nao tem como nao notar a historia recente deste país. A guerra sempre deixa um triste legado. A impressao é de que o Camboja levará tempo para se recompor. O mínimo que podemos fazer para compreender o que aconteceu e o que vemos é conhecer a história do pais. Vimos a riqueza de uma cultura em Angkor Thom que é patrimonio da humanidade e também vimos a pobreza advinda da guerra, também patrimonio nosso.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.