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Várias Escolas

Algumas das perguntas mais freqüentes que centros e professores buddhistas recebem diz respeito às diferenças entre escolas. Quais são as diferenças entre elas (e sobre isto é possível ler o texto “A Que Escola Pertenço? “) e se estudar as teorias e práticas de todas elas não acaba por criar mais confusão.

Minha recomendação genérica, a qual, confesso, eu mesmo nunca pus em prática, é de que é mais saudável escolher apenas uma para estudar e praticar. Quem queira estudar todas, ‘um pouquinho de cada’, na ilusão de adquirir um conhecimento geral a respeito do Buddhismo como um todo, notará muito provavelmente sua confusão aumentando ainda mais. Ou se achar que está ficando mais claro, esse será um motivo a mais para desconfiar de que realmente não está entendendo.

Estudar várias escolas significa que necessariamente você deverá dominar o vocabulário de cada uma; e já não é pouco dominar o vocabulário só de uma. Mesmo se, aparentemente, o vocabulário parecer ser o mesmo, não é. Isso é algo que sempre insisti e fiz questão de sublinhar. Palavras chaves como Buddha, Arahant, Dharma, Bodhisattva, Jhana, Samadhi, etc, têm significados que podem ser muitos diferentes em várias escolas, apontando para situações e estados diferentes. É difícil para iniciantes compreender como palavras tão comuns e essenciais podem ser diferentes em escolas que se dizem buddhistas, mas assim é que é, e mesmo professores de uma determinada escola podem não estar familiarizados com o vocabulário de uma outra. Mesmo numa mesma escola alguns autores e épocas usam as mesmas palavras em contextos diferentes. Assim, se você escolher conhecer várias escolas, esteja pronto para estudar mesmo, realmente mergulhar na confusão até que um dia possa ter delas uma visão abrangente. Se não estiver preparado para isso, escolha uma e dedique-se de corpo e ‘não-alma’ (oops, tique buddhista) a ela, em estudo e prática, de preferência em contato com algum centro de ensinamento devidamente autorizado e sério. Como em outros ramos, não faltam oportunistas também aqui.

Estudo é algo importante em todas as escolas buddhistas, mesmo naquelas que dizem que estudo não é importante. No Theravada temos pariyatti/estudo, patipatti/prática, pativeda/realização, que constituem o tripé sob o qual se ergue a tradição. Os dois primeiros são como as asas de um pássaro que, juntas, fazem o pássaro alçar vôo/pativeda. E quando você achar um lugar/pessoa que lhe parece ter o potencial de responder realmente as perguntas importantes do caminho, nunca se acanhe e pergunte, pergunte. Quem não pergunta, mas só lê e escuta, corre o risco de sempre ler e ouvir respostas que não foram elaboradas para ele.

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