Maçãs e Morte

Quando uma pessoa está preparada, algumas situações que para outros poderiam ser traumáticas ou desesperadoras, podem revelar um outro lado mais profundo da vida. Talvez a experiência de Steve Jobs com o câncer terminal é que fizeram-no dizer:

Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que desejam ir para o céu não querem morrer para chegar lá. E ainda assim a morte é o destino que todos compartilhamos. Ninguém jamais escapou dela. E é assim que deve ser, pois a Morte é provavelmente a melhor invenção da Vida. É o agente de mudança da Vida. Ela despacha o antigo para dar lugar ao novo. Nesse momento, o novo é você, mas algum dia, não muito distante do agora, você gradualmente envelhecerá e será despachado. Desculpe ser tão dramático, mas isso é bem verdade“.

Esse, aliás, é o sentido das meditações sobre a morte (maranasati) na tradição buddhista Theravada, uma forma de revelar esse sentido mais profundo da vida, sem que necessariamente tenhamos que experimentá-la de perto. Através delas, talvez possamos conversar com a Morte como o poeta muçulmano Rumi o fazia:

“Tu que dissolves o açúcar, dissolva-me,
se esta é a hora.
Faça-o gentilmente com um toque de mão, ou com um olhar.
Cada manhã eu aguardo no alvorecer. É quando ocorreu anteriormente.
Ou faça-o repentinamente como uma execução.
De qual outra forma eu poderia estar pronto para a morte?

Respiras sem um corpo como um lampejo.
Lamentas, e começo a me sentir mais leve.
Mantém-me à distância de um braço.
Mas manter-me à distância me atrai”.

E…sim, eu tirei aquela foto. Assim como essa acima, da stupa onde foram enterrados os oito cabelos do Buddha, dados aos comerciantes que o visitaram na 4a (ou 7a) semana após o Despertar, e que aqueles que atenderam ao último workshop em São Paulo ou os alunos de BH bem se lembram.

Um comentário

  1. PASSAREI ESTAS PALAVRAS PARA UMA UMA PESSOA QUE ESTÁ SIMPLESMENTE FURIOSA COM A PROXIMIDADE DA MORTE. ISSO SÓ TEM CAUSADO MAIS DOR À ELA.
    É MEU PAI.
    OBRIGADA.

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