De Volta à Rússia

Desta vez a viagem começa com emoção! Meu 1o voo não conseguiu pousar em São Paulo 🛩️🤐💨💨 Tempestade, chuva e muito vento impediram vários voos de pousarem. Resultado: perdi meu voo internacional 🤯. Depois de voltar pra BH, esperar 4 horas e voltar pra São Paulo, e muitas conversas, chats online, idas e vindas pelo aeroporto, fui realocado para o voo da noite. Com isso, depois de 10 horas no aeroporto de São Paulo parto para Doha, para uma looonga viagem com estimativa de quase 18 horas no aeroporto de Doha (já que o atraso bagunçou todas as conexões), um dia perdido que seria para Moscou, além de hotéis e transfers tendo que ser mudados. Mas vai dar certo! 😊

Doha já avisa de imediato como você deve se sentir ao ficar 23 horas no aeroporto.

Após esperar 17h30m em Doha todos entram no avião. Esperam… Esperam… Esperam… E depois de um tempo somos informados que devemos sair do avião, pois não conseguiram consertar o que precisava ser consertado. Então as 17h30m se transformaram em 23 horas no aeroporto de Doha, para finalmente entrarmos numa nave que pudesse voar.

Cheguei em Moscou com um dia e meio de atraso, com tempo suficiente para chegar no hotel à noite e já sair de volta para o aeroporto no dia seguinte logo cedo. As previsões climáticas erraram completamente e me pegaram despreparado para um frio danado na capital russa.

Ao saber disso tudo uma amiga me disse: “Nossa vida como viajantes às vezes pesa, hehehe! I hear you! I feel that. Really not funny! But, you know what? I have noticed that when something like that happens in the beginning of a trip, everything goes awesome!! So, have a nice, safe trip and a wonderful journey!!! Já deu tudo certo!!”

E não é que ela tinha razão? Porque dali pra frente tudo foi especial.

Desde criança, eu já tinha ouvido falar da Aeroflot, a famosa companhia aérea da União Soviética. Fundada em 1923, ela é uma das companhias aéreas mais antigas do mundo e mesmo após o colapso da URSS, a Aeroflot sobreviveu — mas eu nunca pensei que um dia voaria com eles de verdade. Bem, o dia chegou 😊.

Viajando com Aeroflot junto com a delegação de monges Shaolin

Chegar em Elista, a capital de uma das três repúblicas buddhistas da Federação Russa, já era carregada de expectativa. Como assim uma república “buddhista”?, as pessoas costumam perguntar. Quando se pensa na Rússia, buddhismo não é a primeira coisa que nos vem à cabeça. No entanto, Buriátia, Tuva e Kalmykia (Calmúquia) são repúblicas com uma história centenária de tradições buddhistas que remontam aos mongóis no século XIII.

No ano passado eu já havia conhecido a Buriátia, tendo escrito aqui mesmo no Folhas no Caminho (em vários posts). Situada no sudeste da Sibéria, às margens do famoso lago Baikal, os buriates são originários de tribos mongólicas que se deslocaram em direção ao norte e leste da Sibéria já no tempo do Império Mongol de Gêngis Khan (1206–1368). No século XVII, a Rússia czarista conquistou a região, integrando-a ao império, mas a identidade mongólica permaneceu.

Agora seria a vez de conhecer a Kalmykia. Enquanto a Buriátia ficava na região siberiana, bem perto da Mongólia e da China, agora eu teria oportunidade de conhecer aquela que é considerada a única região da Europa de maioria buddhista. Situada no sul da Rússia, próxima ao Mar Cáspio, os kalmyks (calmucos) descendem de mongóis oirates que migraram da Ásia Central no século XVII.

Ao chegar ao pequeno aeroporto de Elista já podemos ver quatro bandeiras hasteadas: da Rússia, da Kalmykia, do buddhismo e do grande evento que começaria no dia seguinte. Todo um grupo de pessoas já estava à espera para nos receber. Fui presenteado com um khata no pescoço e mais uma sacola de presentes. O khata é um símbolo tradicional de respeito, pureza, compaixão e boa vontade na cultura tibetana e em outras culturas buddhistas dos Himalayas (como no Butão, Mongólia e partes do Nepal). É um gesto de boas-vindas e bênção. Mas ainda mais importante foi o sorriso no rosto de todos os que estavam nos esperando.

E para fechar o dia fomos até o Campo dos Nômades de Elista para ver o show de abertura oficial do Terceiro Fórum Buddhista Internacional. Estupendo!