Não-Dualidade

Não-Dualidade V

Dando continuidade ao tema da Não-Dualidade

Para o Buddhismo Theravada, o Vinaya é o conjunto de regras monásticas. Todo aquele que é monge vive contido por ele, o que implica celibato, não remuneração de quaisquer trabalhos que possa fazer, ingestão de drogas ou bebidas alcóolicas, regras concernentes ao comportamento diante da comunidade monástica e laica, etc. Primeiramente, o Vinaya não se aplica a não-monges. Em segundo lugar, viver sob regras não é ‘ficar preso a um conceito de moralidade’. O monge vive segundo o Vinaya, pois isso é parte das regras aceitas para entrar na comunidade monástica, regras que o Buddha concluiu serem as mais propícias para atingir alguns dos objetivos desejados no caminho. O Vinaya é uma regra de vida e enquanto o indivíduo permanece como monge é o Vinaya que o rege. Para os adeptos da Não-Dualidade, entretanto, o Vinaya é útil apenas em certa medida e provisoriamente. Se for útil para o discípulo quebrar sua suposta motivação ‘hinayana’ (que é identificada pelos adeptos não-duais com a manutenção da regras de comportamento e o Vinaya), um mestre ‘não-dual’ poderá facilmente incentivar que o discípulo quebre as regras monásticas levando-o a um bordel ou deixando-o bêbado. Isso quando o mestre, ele mesmo, não dá esse exemplo de ‘estar acima’ das regras. ‘Mentes duais não têm condição de julgar os comportamentos anômalos de seres elevados’, dirão os mestres da não-dualidade e fazê-lo é apenas uma prova de dualismo. Não para o Buddhismo Theravada, onde a moralidade não é descartada nos estágios superiores, mas harmonicamente integrada e compreendida em seus aspectos mais profundos. No Theravada, se for encontrado um monge infringindo evidentemente o código monástico podemos ter a certeza de que ele falhou em seu treinamento. Mas nos caminhos não-duais tudo pode ser justificado, pois o mestre (e seus discípulos) pode simplesmente estar ‘dando o exemplo de uma mente não condicionada pelo bem ou pelo mal’. O caso de um famosíssimo mestre buddhista que vivia bêbado e cujo discípulo e sucessor infectou com o vírus da AIDS dezenas de discípulas mesmo sabendo que estava com AIDS, imediatamente vêm à mente, pois a justificativa para tais comportamentos foram exatamente buscadas na não-dualidade.

Compartilhe com seus amigosShare on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterEmail this to someone

Comments are closed.

Powered by: Wordpress
%d blogueiros gostam disto: