Por que não clubes dhármicos?

Para aqueles que já me ouviram, sabem que há uma coisa sobre a qual insisto constantemente: ler é diferente de estudar. Ler fazemos com revistas, jornais, romances, é uma atividade de relaxamento e diversão somente. Estudar também pode ser feito com tais coisas e com muito mais. Significa analisar, refletir, anotar, perguntar. É uma pena quando praticantes somente lêem, ao invés de estudarem seus livros de dhamma. E não é só com esses livros que devemos ter cuidado, mas com tudo que lemos. Há de se construir uma atitude reflexiva e inteligente em nosso ato de leitura. Bem, talvez isso seja pedir muito. O Brasil é um país que não lê. É uma população que não sabe o que é isso. E comparado com outros países como na Europa ou Japão e Coréia, as diferenças são alarmantes. Tampouco sabemos a diferença entre leitura quantitativa e leitura qualitativa.

É bom ver pessoas incentivando a leitura dos clássicos (aqui e aqui) citados no Coisas entre o céu e a terra... É bom ver clubes de leitura se formando, pessoas se reunindo não para conversar sobre futebol, moda e encher a cara, mas pelo simples motivo de compartilhar leituras e pensamentos. E por que não também clubes de leitura dhármica, que poderiam ser formados, enaltecendo a esquecida diversão superior de compartilhar impressões, pensamentos, reflexões sobre as palavras antigas que apontam para além do cotidiano banal em que a maioria vive.

dhanapala

Este é o blog pessoal de Ricardo Sasaki (Dhanapala), psicoterapeuta, palestrante e professor autorizado na tradição buddhista theravada e mahayana, tradutor, autor e editor de vários livros, com um grande interesse na promoção e desenvolvimento de meios hábeis que colaborem na diminuição real do sofrimento dos seres, principalmente aqueles inspirados nos ensinamentos do Buddha. Dirige o Centro de Estudos Buddhistas Nalanda e escreve no blog Folhas no Caminho. É também um dos professores do Numi - Núcleo de Mindfulness para o qual escreve regularmente. Para perguntas sobre o buddhismo, estudos em grupo e sugestões para esta coluna, pode ser contactado aqui.

6 Comments

  1. Ei Ana! Se o tal blog que vc menciona for o ‘Coisas entre o céu e a terra… ‘ que eu mencionei no post, acho que novamente vc se enganou na leitura 🙂 Porque ele é apenas um blog de um grupo ‘ao vivo e a cores’…

  2. risos….é eu tinha em mente qdo li
    seu post, essas questões de aplicação de recursos tecnológicos tão em moda atualmente ( e aqui devo confessar que sou meia ambivalente, ora acho que dá…ora que não…rs).Penso que devemos sim aproveitar os tais recursos, mas que estes tenham como meta acrescentar, fortalecer os vinculos sociais e não enfraquece-los. Paralelamente eu tinha separado recentemente alguns filmes vistos anteriormente para uma releitura, e entre eles o tal ” Denise está chamando” classificado como comédia,hoje dada
    as condições em que as coisas chegaram ( comunicação virtual, ou seja se faz td pelo virtual, aprendizagem, encontros que nunca acontecem e por ai vai…)o vejo como uma tragicomédia…Bem a proposta do tal blog ( não o desmerecendo) acho válido se começar por ai, no virtual, ao menos para agregar as pessoas e desde que se tenha em mente fazer a coisa acontecer de forma presencial, com tudo a que se tenha direito….dai que ” interpretei” que vc estaria propondo algo virtual, e a minha resistencia veio a tona….rs.

    Acho válido essas “provocações” e
    o que elas podem trazer na construção do aprendizado-reflexivo conjunto. Dai que conversando ( mesmo com todos os riscos e entraves do virtual) a gente se entende…

    gasshô

    ana

  3. Ei Ana! Não entendi qdo vc disse:”interessante sim a sua sugestão, mas eu ainda prefiro ao vivo e a cores”, pois minha sugestão foi exatamente de se faça isso ao vivo e a cores…. particularmente acho fundamental a prática e exercício de interpretação do que se lê. É um dos maiores problemas na população em geral e dos buddhistas em particular.

  4. A questão não é só se ^le ou não se lê, mas sim de que, qdo se lê poucos sabem interpretar o que é lido…vide as pérolas dos vestibulares que correm na net.

    há tb que muitos não tem o hábito de vivenciarem grupos,e em algumas profissões/formaçãoes é por ai que
    se faz a aprendizagem/reflexões, ou
    seja a construção de um saber conjunto/reflexivo.

    Há quase 20 anos ou mais, foi fundado pela filosofa e psicanalista ( minha preceptora) Catalina Pagés, os Circulos de Leitura, patrocinado pelo Instituto
    Instituto Fernand Braudel na cidade de Diadema ( gde São Paulo, a cidade com maior indice de violência na decada de 90)e isso deu muitos frutos. Bem eu quase me engajei no projeto, mas por ser aos sabados de manhã me era um pouco complicado, mas acompanhava-mos meio de perto as experiencias que ali ocorriam, já que o trabalho
    que faziamos nos grupos de reflexão
    ( Pichon Riviera) serviu um pouco de modelo para esse projeto. Hj não
    sei a qtas anda o projeto, mas pelo que vi, cresceu bastante e me parece que formaram bastante jovens….enfim estou deixando dois links para uma olhadela.

    Acho que seria interessante sim a sua sugestão, mas eu ainda prefiro ao vivo e a cores, no tete-a-tete, sou do tempo antigo…rs.

    gassho

    ana

    http://www.circulosdeleitura.org.br/body.html

    http://www.circulosdeleitura.org.br/noticias.html

  5. Muito obrigada pela citação!
    Esse blog é tão descompromissado… agora vou tomar mais cuidado com o que escrevo! rsrsrs

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